quarta-feira, 4 de julho de 2012

a morte joga xadrez

Essa é uma das imagens mais fortes, impactantes, (e belas!) da história do Cinema. É a clássica cena da personificação da Morte no filme "O sétimo selo" (Det sjunde inseglet), de Ingmar Bergman, rodado em 1957, ainda sob os escombros e os traumas da Segunda Guerra.

Não me lembro se foi o primeiro filme do diretor sueco a que assisti, mas foi o que mais me impressionou. E é o meu preferido, assim como foi do próprio cineasta dentre a sua vasta filmografia de tantas obras-primas.

Ambientado numa época remota da Idade Média, o filme trata do temor de que o mundo possa acabar de repente ou de que ele seja dizimado gradualmente por uma peste. A Morte, na interpretação marcante e assustadora do ator Bengt Ekerot, concretiza os aspectos da religiosidade questionada. Max Von Sydow vive um cavaleiro que, voltando da Cruzada da Fé, convida a Morte para uma partida de jogo de xadrez com o intuito de distraí-la para que os flagelados escapem e, com o tempo, vencê-la. É uma sacada inteligente de Bergman como alegoria da racionalidade para entender a vida. O cineasta não se apega propriamente a uma determinada religião, até mesmo apresenta a Igreja como uma instituição decadente, incapaz de impedir o mal e solidificar a fé.

A foto ilustra significativamente o cartaz da Mostra Ingmar Bergman, na programação do CCBB Brasília, iniciada em 19 do mês passado seguindo até dia 22 próximo. É a maior restrospectiva de Bergman no Brasil, com a exibição de 50 longas, curtas e documentários inéditos e filmes realizados para a televisão.

Nenhum comentário: