quinta-feira, 10 de março de 2011

seres humanos extraordinários


"Fizemos um filme sobre como transformar lixo em dinheiro, mas deram o Oscar para um filme sobre como transformar dinheiro em lixo"

Desabafo legítimo do artista plástico brasileiro Vik Muniz sobre o filme Lixo extraordinário, que concorreu ao Oscar de Melhor Documentário e perdeu para a produção americana Trabalho interno (Inside job), de Charles Ferguson, sobre a última crise financeira que abalou o mundo, em 2008.

Dirigido pela inglesa Lucy Walker e co-dirigido por João Jardim e Karen Harley, Lixo extraordinário acompanha o trabalho de Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. O que ele consegue fazer naquele mundo inóspito é mais do que expressou no seu desabafo: transforma lixo em arte, recicla seres humanos do anonimato para o mundo. As pessoas que moram e sobrevivem no aterro são o grande motivo do filme, e os cineastas, conduzidos pelo olhar sensível e talentoso do artista plástico, trazem à tona, erguidos das montanhas de lixo, personagens verdadeiros, ricos em histórias, símbolos do abandono de uma sociedade cretina que despreza e iguala seres às coisas descartáveis.

Assisti aos dois filmes, e de longe, mais bem de longe mesmo, Lixo extraordinário é superior. Enquanto um é asséptico em suas análises, embora explicativas e didáticas, o documentário de Lucy Walker é a expressão da pureza humana no meio do que o homem rejeita, do que não mais lhe interessa ou pertence.

O filme é sobre seres humanos extraordinários.

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