domingo, 27 de março de 2011

na Pedra do Ingá

Lula Côrtes é um dos nomes mais representativos da música brasileira, como músico, letrista, poeta de versos cheios. Pernambucano da gema, fez um disco histórico com Zé Ramalho, "Paêbiru", gravado artesanalmente nos lisérgicos anos 70, uma preciosidade que mistura acordes nordestinos com o rock psicodélico. 

O vinilzão é uma raridade: os 1000 exemplares restantes foram embora água abaixo numa enchente em Recife que invadiu como um tsunami a gravadora Rosemblit. Quem tem o disco, tem e pronto, não empresta, sequer vende pelo preço que colecionadores oferecem, algo em torno de R$ 5 mil. Eu não venderia se tivesse. Tenho uma fita cassete copiada de um amigo, e há uns dois anos baixei da internet. Mas os chiados estão lá, em algumas faixas. O que é bom. 

Tenho outros elepês solos no Lula Côrtes. Todos bons. Parceiro em várias canções de Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, o compositor para garantir uma grana mensal trabalhava como assessor da prefeitura num interior pernambucano. Morreu ontem, aos 61 anos, de câncer na garganta. Os jornais deram um quadradinho com um quarto de lauda na página de obituários.

  Contracapa em cd de um disco que foi na contramão: "Paêbiru".

 
Zé Ramalho e Lula Côrtes em tempos dinossáuricos, em vibrações lisérgicas de chá de zabumba, pousando no sertão paraibano da Pedra do Ingá como ETs para o encarte do vinil "Paêbiru". E lá se foram os cabeludos anos 70.

Avohai, caro Zé, que continua espalhando coisas sobre um chão de giz...
Avohai, caro Lula Côrtes, agora a caminho da montanha do sol... Padim Ciço já lhe benzeu.

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