domingo, 1 de julho de 2007

Little boy

foto: www.aldeaeducativa.com/IMAGES/hiroshima02.jpg

Li agora uma notinha de rodapé no Correio Braziliense que o ministro da Defesa japonês, Fumio Kyuma, disse ontem a uma agência de notícias de seu país, que era “inevitável” que os Estados Unidos lançassem duas bombas atômicas sobre o Japão durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Isso teria evitado que a União Soviética entrasse também na batalha do Pacífico. Mas o que é isso, sr. Kyuma! Pelo amor de Buda!
O cara com seus olhinhos miúdos e raciocínio idem, considera que as bombas sobre Hiroshima e Nagasaki conseguiram “acelerar o fim da guerra”. Essas declarações absurdas repercutiram muito mal entre os sobreviventes e seus descendentes, claro, e podem se transformar em uma nova dor-de-cabeça para o primeiro-ministro, Shinzo Abe.

Relembrando: às 8h15 do dia 6 agosto de 1945 a bomba "Little boy" foi lançada sobre a cidade de Hiroshima, matando instantaneamente cem mil pessoas. O local de 350 mil habitantes tinha um porto militar insignificante. Não havia necessidade para o ato. O Japão já estava derrotado, sem condições para a continuidade da guerra, com fábricas militares destruídas. E o sr. Kyuma vem com um papo desse!

Do outro lado, onde o império sempre atira primeiro e pergunta depois - quando pergunta -, as justificativas são igualmente doentias. Ao longo desses 60 anos do lançamento das duas bombas pelo governo dos EUA, é cada vez mais repudiante a conversa dos americanos para esse genocídio. Theodore "Dutch" J.Van Kirk, major-aviador do avião Enola Gay, bombardeiro B-29 que lançou a coisa, aos 84 anos e do alto da sua senilidade arrogante, não se arrepende do que fez, e diz que passou um bom tempo se preparando para o momento, e que "foi uma das missões mais fáceis" da sua vida. Esse senhor do vôo da morte, vive hoje em um asilo na Geórgia, lustrando as 15 Medalhas Aéreas que recebeu após a "missão".
Deve aguardar a visita do tal ministro japonês para um chazinho verde com cookies...


O bombardeio sobre o Japão foi o maior ataque terrorista da história. No mínimo 50 vezes mais letífero que o 11 de setembro de 2001.
Muitas imagens dos efeitos do cogumelo de fogo ficaram na lembrança de todos. Imagens como essa do garotinho chorando entre os destroços. Garotinho, que ironicamente é a tradução literal do nome da bomba.


Vinicius de Moraes traduziu bem o que resultou da estupidez humana em seu poema "Rosa de Hiroshima":
Pensem nas crianças
mudas telepáticas,
pensem nas meninas
cegas inexatas,
pensem nas mulheres
rotas alteradas,
pensem nas feridas
como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
a rosa hereditária,
a rosa radioativa
estúpida e inválida,
a rosa com cirrose,
a anti-rosa atômica.
sem cor, sem perfume,
sem rosa, sem nada.

3 comentários:

Andros Renatus disse...

Texto muito bom, cara! Parabéns!

Heloisa disse...

Muito triste isso aí.
Ví milhares(!) de filmes sobre o fato, li várias coisas e até hoje não sei o que levou a isso.

Bom post

Boa tarde!

Leonardo Ribeiro disse...

massa, man!