domingo, 15 de julho de 2007

ó Catilina!

colagem Blog Imagens & Letras

“Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?”

Não, não foi discurso de um senador da oposição pedindo o afastamento do senador rei do gado Renan Calheiros. Mas que infeliz coincidência ser tão atual, tão aplicável ao enxurdeiro que está ocorrendo e escorrendo no Senado brasileiro.

A peça oratória acima foi proferida na longíqua data 63 a.C, no Senado romano. Marco Túlio Cícero, então cônsul de Roma, denuncia publicamente uma conspiração montada por seu inimigo Lucius Sergius Catilina. Nesse duro pronunciamento, expõe a conspiração e sugere que Catilina busque o exílio nas Alagoas dele.

Por conta desse discurso o dicionário Aurélio registra o substantivo "cantilinária", uma acusação eloqüente.

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