domingo, 28 de maio de 2006

o tripé de um festival

foto Gustavo Pellizon

"Fazer o Cine Ceará é fazer um longa-metragem por ano, mas é mais desgastante fazer um longa. É mil vezes mais fácil captar recursos para um festival. Por exemplo, estamos trazendo para o Cine Ceará 60 jornalistas do Brasil e ibero-americanos. Multishow, GNT, Canal Brasil, Revista do Cinema Brasileiro, programa Metrópolis e Zoom... Este ano, o Cine Ceará ganha apoio da prefeitura municipal. No ano passado, a prefeita Luizianne (Lins) deu apoio logístico porque não tinha recursos. Na área da cultura, o Juraci Magalhães (ex-prefeito de Fortaleza) foi um desastre. Era o maior boneco para conseguir que ele liberasse a praça. Já a Luizianne está tirando das catacumbas a Escola de Cinema, que foi enterrada pela Cláudia Leitão (atual secretária de Cultura do Estado). No Cine Ceará deste ano, nós criamos o Encontro Ibero-Americano das Coalisões da Diversidade Cultural, que é o I Fortaleza pela Diversidade Cultural, que é uma atuação da prefeitura dentro do Cine Ceará. Acho que temos as três pernas: o município, o federal e o estadual.


Trecho da bombástica entrevista com o cineasta e diretor do Cine Ceará Wolney Oliveira, no jornal O Povo de hoje. O festival começa no próximo dia 30 e segue até 8 de junho.

Leia na íntegra acessando a página
http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/598271.html

sexta-feira, 26 de maio de 2006

um surpreendente diretor

Tommy Lee Jones em "Três enterros". foto The Javelina Film Company

"Eu o assisti inúmeras vezes e Sam teve muita influência em minha carreira, bem como Kurosawa e Godard de 'O demônio das onze horas'"

O ator e agora diretor Tommy Lee Jones sobre sua estréia com "Três enterros" (The three burials of Melquiades Estrada). O filme a que ele se refere é "Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia" (Bring me the head of Alfredo Garcia), dirigido por Sam Peckinpah (1926 - 1984), em 1974. Logo nas primeiras cenas de "Três enterros" já dá para sentir a forte influência desse cineasta que ficou conhecido como o "poeta da violência".

Baseado numa história real sobre um jovem mexicano assassinado durante uma patrulha antidrogas realizada pelos soldados e policiais americanos, o filme é de uma beleza e sensibilidade surpreendentes, principalmente por se saber do gênio irascível característico de Tommy Lee Jones. Com roteiro escrito por Guillermo Arriaga, o mesmo de "Amores brutos" e "21 gramas", o filme narra a travessia de um vagueiro do Texas até o México para enterrar o seu amigo Melquíades na terra natal, como prometera. Pete, o vagueiro interpretado pelo próprio Lee Jones, obriga o guarda de fronteira, que matou o mexicano por descuido, a acompanhá-lo nessa missão. O cadáver se decompondo, a paisagem seca e os policiais perseguindo, tornam a travessia dramática, realçada pelo bela e crespuscular fotografia de Chris Menges, e, claro, a direção segura de Tommy Lee Jones. No Festival de Cannes do ano passado ganhou merecidamente o prêmio de melhor ator, além de roteiro.

Abordando traços sobre amizade, vingança e redenção, o filme faz também críticas à maneira bruta como os Estados Unidos tratam os imigrantes ilegais.
Junto com o roteiro, o elenco recebeu um exemplar de "O estrangeiro", de Albert Camus. O diretor queria que os atores sentissem a sensação de alienação e abandono que queria passar com o filme.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Fernando Birri no CineCeará

foto Golden Gate Vision Award

O cineasta argentino Fernando Birri é considerado um dos pais do novo cinema latino-americano. Fundador da Escola Latino-Americana de Documentários de Santa Fé e da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños, em Cuba, Birri, aos 81 anos de idade, é um dos principais expoentes do cinema ibero-americano, referência para toda uma geração de realizadores formados pelas duas escolas.


Agora em 2006, quando a Escola de Cinema de Cuba completa 20 anos, o 16º Cine Ceará, em sua primeira edição como Festival Ibero-americano de Cinema e Vídeo, que começa no próximo dia 30, presta uma justa homenagem ao cineasta, agraciando-o com o Troféu Eusélio Oliveira, pelo papel fundamental que exerce no cenário do audiovisual mundial.


Ainda como parte da homenagem, será exibido o documentário "ZA 05- Lo viejo y lo nuevo", última produção de Birri, em parceria com Julio Garcia Espinosa, feita a partir de filmagens dos estudantes da Escola de Cuba e fragmentos de arquivos do novo cinema latino-americano realizados a partir de meados dos anos 50. A exibição acontecerá na solenidade de encerramento do 16º Cine Ceará, na noite do dia 08 de junho.

terça-feira, 23 de maio de 2006

assalto no cinema

foto jornal O Povo

"A cobertura feita pelo jornal O Povo do assalto ao Banco Central, em Fortaleza, no ano passado, inspira o documentário 'Heist', da emissora Discovery Channel. Escrito e dirigido pelo diretor inglês James Erskine, o filme está em fase de montagem e tem co-produção das produtoras Limite Produções e Terra Vermelha Imagens"

Leia a matéria completa acessando
http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/596655.html

segunda-feira, 22 de maio de 2006

operário do cinema


Júlia Miranda e Maurício do Vale em "Cangaceiro sanguinário". Foto Servicine Produções

"A Associação Brasileira de Colecionadores de Filmes em 16mm - ABCF, com o apoio da Biblioteca Municipal Roberto Santos e Cineclube Ipiranga, orgulhosamente convida a todos para a exibição do filme 'Cangaceiro sanguinário', 1969, de Osvaldo de Oliveira, no dia 27 de maio de 2006, às 19 horas, no auditório da Biblioteca Municipal do Ipiranga, rua Cisplatina, nº 505, Ipiranga, São Paulo, Capital, fone 11-2732390. Entrada franca. Antes do filme será exibido um episódio da série 'O vigilante rodoviário', de 1961/62, produzido e dirigido por Ary Fernandes."


Recebi o convite de Antonio Leão da Silva Neto, vice-presidente da ABCF e autor do excelente livro "Dicionário Filmes Brasileiros” - lançado em 2002. A obra, de 941 páginas, reúne informações sobre mais de 3 mil filmes longas-metragens produzidos no Brasil desde 1908. Imprescindível.

E se eu estivesse em São Paulo, meu caro Antonio, iria rever o filme do Osvaldo de Oliveira (foto), que além de diretor, foi fotógrafo de vários filmes, inclusive da série do "Vigilante rodoviário", dirigindo também alguns episódios. Conhecido pelos colegas como ‘Carcaça’, Osvaldo foi um dos profissionais mais prestigiados e atuantes na Boca do Lixo.
Antes de dedicar-se à direção, fez de tudo no cinema. Foi maquinista, iluminador, assistente de câmera e de direção, e o que aparecesse para fazer no set. A crítica, claro, nunca olhou para seus filmes com muito interesse, geralmente paródias de cangaço, faroestes, musicais sertanejos, sátira a contos infantis. O público adorava. "O caçador de esmeraldas", de 1978, em que narra a saga bandeirante de Fernão Dias Paes Leme é considerado o seu único filme “sério”.

Sério mesmo é todo o trajeto desse cineasta, que faleceu em 1990, aos 59 anos e 23 filmes. Um verdadeiro operário do cinema.

domingo, 21 de maio de 2006

o "lá" de Penélope

foto página www.cevebvila.com

"Sempre trabalho como uma atriz européia que também trabalha nos Estados Unidos porque essa é a forma de me proteger das coisas negativas daquela indústria."

"Sempre saio para gravar , ou para passar tempo , sabendo quando estarei de volta. Essa é uma forma de me proteger e de realmente estar onde estou em vez de estar fazendo de conta que sou alguma outra coisa."

"Também sou muito grata pelas oportunidades que me são oferecidas ."

O "lá" que a atriz Penélope Cruz fala é Hollywood, o paraíso, ou inferno, da indústria cinematográfica.
Aos 32 anos Penélope já fez 40 filmes, desde que estreou em 1991, no policial "El labirinto griego", de Rafael Alcazar, ao mais recente, o inédito "Bandidas", uma produção da França, México e Estados Unidos, dirigida por Joachim Roenning e Espen Sandberg, com roteiro de Luc Besson.
Depois que fez um pequeno, mas destacável papel em "Tudo sobre minha mãe" (Todo sobre mi madre), 1999, de Pedro Almodóvar, a atriz recebeu convite para filmar nos Estados Unidos. Antes de embarcar fez o suspense "Volaverunt - la mala desnuda", do compatriota Bigas Lunas. O primeiro filme em língua inglesa foi o fraquíssimo "Sabor da paixão" (Woman on top), uma comédia romântica dirigida pela venezuelana Fina Torres, com uma equivocada história que se passa na Bahia e em Los Angeles. Murílio Benício, Lázaro Ramos e Wagner Moura estão no elenco.

Mais alguns filmes depois e um romance com Tom Cruise, com quem contracenou em "Vanilla Sky" (Vanilla Sky), 2001, de Cameron Crowe, Penélope volta aos braços de quem ela considera seu diretor preferido, o sempre fiel a si mesmo Almodóvar, que apresentou nesta última sexta-feira, em Cannes, o seu novo filme, "Volver". O público da première aplaudiu de pé e os críticos lhe dão a maior classificação entre os primeiros concorrentes para o principal prêmio do festival, a Palma de Ouro. A revista Hollywood Reporter chamou de "memorável" o desempenho de Cruz, acrescentando que "ela nunca esteve mais bonita ou com melhor desempenho". Dividida, Penélope continua lá e cá.

sábado, 20 de maio de 2006

cartazes de cinema - 2

"Os noivos" foi a estréia do cineasta Afrânio Vital, um carioca de Bom Jesus do Itabapoana. Rodado em 1978, o filme é "o processo de ajuste de contas de um casal, um filme que realizei no início do meu longo processo psicanalítico e reflete a questão da impossibilidade do amor", como bem explica o diretor em entrevista à pesquisadora Andréa Ormond, na página www.estranhoencontro.blogspot.com

Vivendo o drama do casal, os ótimos Reinaldo Gonzaga e Neila Tavares, numa química perfeita em todas as cenas. Afrânio se dizia fascinado por “O último tango em Paris” (The last tango in Paris), 1972, de Bernardo Bertolucci, e é bem possível, sim, que um certo clima tenha impregnado positivamente a concepção do filme.

O autor do cartaz é o artista gráfico Fernando Pimenta, que há dois anos lançou o livro “O cinema brasileiro em cartaz”, onde faz uma retrospectiva de 30 anos de seu trabalho como criador de mais 200 cartazes, campanhas e vinhetas para filmes brasileiros. Ano passado a Jornada Internacional de Cinema da Bahia lhe prestou uma homenagem com a exposição que traz o mesmo título do livro.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Operação Cannes

William Friedkim dirigindo "Regras do jogo" (The rules of engagement), 2000. Foto Paramount Pictures

"Nem só de Palma de Ouro vive o Festival de Cannes. Alguns filmes de mostras paralelas, como a Quinzena dos Realizadores, começam a atrair atenções. Esta sexta-feira, é a vez de um dos longas fora de competição mais comentados em cartaz no festival ser exibido: 'Bug' do veterano cineasta americano William Friedkin.

Desde que 'O exorcista' (The exorcist), 1973, jogou uma maldição sobre o cineasta, descarrilhando uma carreira oscarizada por 'Operação França' (The french connection), 1971, o nome Friedkin é, constantemente, sinônimo de fracasso. No entanto, a 'bagaceira' história de amor entre Agnes (Ashley Judd), uma garçonete vitima da violência do ex-marido, e Peter (Michael Shannon), um ex-combatente traumatizado que vê insetos em todos os lugares, pode devolver ao cineasta um pretigio há muito perdido. Veremos depois de Cannes."


Enviado por Rodrigo Fonseca, de Cannes - 18/5/2006 - 11:02, Globo Online


Friedkin tem pelo menos três filmes bons nesse período de fracassos que o Rodrigo menciona: "O comboio do medo" (Scorcerer), 1977, "Parceiros da noite" (Cruising), de 1980 e "Viver e morrer em Los Angeles" (To live and die in L.A.), de 1985. Em 1972, logo após o sucesso de "Operação França", que lhe rendeu o Oscar de diretor e de ator para Gene Hackman, ele junta-se aos colegas Francis Coppola e Peter Bogdanovich e fundam a Director's Company, que não vai muito adiante. Friedkin era visto como o "menos talentoso". Não é bem assim. Há coisas piores em Hollywood.
Friedkin decidiu ser cineasta depois que assistiu ao clássico "Cidadão Kane" (Citizen Kane), de Orson Welles. Dirigiu vários programas para televisão antes de estrear no cinema com "Good Times", em 1967, onde lançou a cantora e atriz Cher. E na sua filmografia de quase 30 títulos, teve a ousadia de levar para a tela a comédia dramática com personagens homossexuais "Os rapazes da banda" (The boys in the band), o que não era muito comum lá por 1970. Voltou a abordar o tema no citado "Parceiros da noite".
Foi casado por dois anos com a atriz francesa Jeanne Moreau.

mais um prêmio para "Dois irmãos"

Caco Ciocler e Flávio Bauraqui em "Quase dois irmãos". Foto Estevan Avellar / Taiga Filmes

O filme "Quase dois irmãos", de Lúcia Murat, recebeu o Prêmio do Público no XIII Festival de Cinema Latino e III de Cinema Espanhol de Tübingen, na Alemanha. O longa narra a história de dois amigos de infância que acompanham a origem da criminalidade organizada das favelas brasileiras

Ano passado o longa foi premiado no Festival do Rio nas categorais de diretor e ator, para Flávio Bauraqui; no Festival de Havama os troféus foram para a trilha sonora, do grande Naná Vasconceslos, e edição, de Mair Tavares; no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, o júri popular concedeu o prêmio de melhor filme.

Na página www.quasedoisirmaos.com.br tem uma ótima entrevista com a diretora, além de críticas e outras informações.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Revista de Cinema



A bela da capa é a atriz Rossanne Holland, numa cena de "A concepção", segundo longa-metragem do brasiliense José Eduardo Belmonte. A edição 66 de Revista de Cinema, editada pelo jornalista Hermes Leal, traz, além de um excelente artigo sobre o filme, uma entrevista com o diretor de "Cinema, aspirinas e urubus", o pernambucano Marcelo Gomes, um artigo de Celso Sabadin sobre Audrey Tauton, estrela de "O código Da Vinci", e várias seções com críticas de filmes em cartaz, agenda de festivais, resenhas de livros e discos.

Revista de Cinema juntamente com Teorema e Paisà, são as únicas publicações especializadas em cinema no Brasil que se pode levar a sério.

Neste número a Revista inovou: nas bancas opções de duas capas, a outra é com o Tom Hanks e Audrey Tauton decifrando o "Código". Sou mais a escolha "concepcionista"...

Mais informações na página www.revistadecinema.com.br

domingo, 14 de maio de 2006

os selecionados do DocTv III


Região Norte:

"Monte Roraima – Magia e Aventura na Terra de Macunaíma", de Tiago Bríglia (RR)
"Quem bagunçar paga a festa", de Clive Garvin Andrews (AP)
"A saga do piadeiro", de José Guedes Leite (AM)
"Chupa chupa a história que veio do céu", de Roger Elarrat (PA)
"Serra Pelada - Esperança não é sonho", de Priscila Brasil (PA)
"Raimunda, a quebradeira", de Marcelo Silva (TO)
"Sustentabilidade e culturas hibrídas na rota do Pacífico", de Emilson Ferreira Souza (AC)

Região Nordeste:

"Crime da Ulen", de José Murilo Moraes dos Santos (MA)
"Um corpo subterrâneo", de Douglas Machado (PI)
"Uma encruzilhada aprazível", de Ruy Vasconcelos de Carvalho (CE)
"Sábado à noite", de Ivo Lopes Araújo (CE)
"O vôo silenciado do Jucurutu – Sobre a cineasta Jussara Queiroz", de Paulo Laguardia (RN)
"Manoel Monteiro – Em vídeo verso e prosa", de Rodrigo Lima Nunes (PB)
"Uma cruz, uma estrada, uma história", de Wilson Freire de Lima (PE)
"Por que Calabar", de Hermano Figueiredo Mendes (AL)
"Nação lascada de veio: a glória do sertão, de Ulisses Naves Rafael (SE)
"Os negativos", de Ángel Diéz (BA)
"As cores da caatinga", de Ivana Pontes (BA)

Região Centro–Oeste:

"Mapulawache, a festa do pequi", de Ayuruá Mehinako (DF)
"Guerrilha, uma história do Brasil", de Eduardo Castro e Ana Cristina Evanggelista (GO)
"Resgate", de Wanda Isabel Silva Marchetti (MT)
"Sasha Siemel – O caçador de onças", de Cândido Alberto da Fonseca (MS)

Região Sudeste:

"A barganha: gestos e falas entre os sertanejos mineiros", de Rubem Caixeta (MG)
"Metros quadrados – construindo espaços públicos temporários", de Inês Linke Ferreira (MG)
"Touro Moreno", de Juliano Enrico Marques Teixeira (ES)
"Ìyàmi Àgbà – A minha mãe mais velha", de Tarcisio Lara Puiati (RJ)
"20 anos de Suvaco", de Paola Vieira (RJ)
"Festa no Buzão", de Kiko Goifman (SP)
"Zumbi somos nós", de Fernando Coster (SP)

Região Sul:

"Estado de resistência", de Berenice Isabel Mendes Bezerra (PR)
"Maack, o profeta da devastação", de Joachim Frieddrich Karl Fullgraf (PR)
"Dykia Distachya", de Jonas Edson Varela Pinto (SC)
"Lutzenberger: for ever gaia", de Otto Guerra Netto
"Blau Nunes – O vaqueiro", de Carlos André Constantin (RS)

Carteiras Especiais DocTv

Região Nordeste:

"Terra tecida", de Juliana Castelo Branco de Noronha Campos (PI)
"1912 – O quebra de Xangô", de Siloé Soares de Amorim (AL)

Região Centro–Oeste:

"O torto e o direito", de Teresa Cristina Barbosa Labarrère (DF)
"Sociedade à brasiliera", de Claudia Nunes (GO)
"Café com pão manteiga não", de Viviane Louise (GO)

Região Sudeste:

"Memórias e improvisos de um tipógrafo partideiro", de Pedro Portella (MG)
"Eis que a luz se Acendeu na casa e não coube mais na sala", de Aline Mineiro Álvares (MG)
"Oh, de casa!", de Clarisse Maria Castro de Alvarenga (MG)
"O trem passou e a gente ficou", de Raoni Miranda Maddalena (SP)
"Elevado 3.5", de João Clark de Abreu Sodré (SP)
"Sempre em meu coração", de Andréa Pasquini (SP)
"Cururu – Encontros e desencontros no tradicionalismo caipira", de Nicholas Rauschenberg
"No traço do invisível – Grafiteiro Zezão", de Marília Scharlach Cabral
"Projeto: Depois da festa", de Karina Bonini Fogaça

domingo, 7 de maio de 2006

cidade restaurada

Anna Magnani em "Roma, cidade aberta". Foto Excelsa Film

A Prefeitura da capital italiana anunciou nesta semana financiamento para restauração do filme "Roma, cidade aberta" (Roma, città aperta), um dos clássicos do cinema mundial, obra-prima dirigida por Roberto Rosselini, marco do neo-realismo. Particularmente considero "Ladrões de bicicletas" (Ladri di biciclette), de Vittorio De Sica, rodado em 1948, o mais neo-realista de todos. Tudo bem, o filme de Rosselini veio antes, é de 1945. Ali o cineasta apresenta todos os elementos que conceituariam um cinema feito de maneira clara, direta, saindo dos estúdios e filmando em locações onde aconteceram os fatos, com não-atores compondo o elenco. Imagine que Rosselini usou verdadeiros soldados nazistas como extras em seu filme, na intenção de dar mais efeito às cenas. As primeiras imagens de "Roma" são reais, captadas pelo diretor com uma câmera oculta. São mostrados soldados do eixo, carros bélicos e tanques de guerra antes de ser iniciada a história em si, e lá pelo meio do filme aparecem outras cenas reais, semelhantes às primeiras, mas inseridas no contexto da narrativa.


O filme retrata a ação de um grupo de resistentes do qual fazem parte dois amigos, que têm apoio de um padre e da mulher de um deles. Os fascistas e os nazistas acabam por encontrá-los e desmantelam o grupo. O filme é belo e trágico. Inesquecível. Para ver e rever, sempre. Rosselini iniciou com esse filme a sua trilogia da guerra, seguido um ano depois por "Paisà" (Paisà), e em 1947 fechou com "Alemanha, ano zero" (Germania, anno zero). Difícil dizer qual o melhor.


O obra será restaurada pela Cineteca Nazionale e será apresentado na próxima edição do Festival de Cinema de Veneza. Neste ano é comemorado o centenário de nascimento de Rosselini.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

prêmio para "Carreiras"

Priscilla Rozembaum em "Carreiras", de Domingos Oliveira. Foto Pressphoto/Divulgação

A produção de baixo orçamento "Carreiras", 12º longa de Domingos Oliveira, foi escolhida como o melhor filme da oitava edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris. O júri oficial é composto por atores e diretores do cinema europeu. Um deles, o cineasta romeno Radu Mihaileanu, disse que o filme "não faz concessão, tem um ritmo infernal, valorizado pela magnífica atriz", no caso, Priscilla, na foto acima, casada com o diretor, premiada na categoria no Festival de Gramado do ano passado.

Outro filme consagrado com o prêmio de público foi o documentário "Coisa mais linda", de Paulo Thiago, que faz um painel do período da Bossa Nova.

o perfume da música

foto Idéale Audience - Imovision / Divulgação

"Minha vida é música e minhas visões musicais nos filmes. A música me levou à carreira cinematográfica em 1989. Durante 15 anos, rodei filmes apenas sobre música clássica e, certo dia, em 1996, um amigo me levou a um concerto da Maria Bethânia no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça. Este concerto foi uma revelação para mim, porque não tinha qualquer relação com o Brasil ou sequer conhecia a música brasileira. Fiquei bastante impressionado pela Bethânia como artista, sua dramaturgia no palco, seu riso e sua generosidade, seu repertório e, sobretudo, sua musicalidade. Foi também a primeira vez que fiquei no meio do público, do povo brasileiro que estava cantando e quase respirando a artista no palco. Lembro também que a estrutura das melodias de cada música que ela cantava me agradou muito. Havia intervalos que levavam a melodia a algum lugar que eu nunca escutei antes e nunca acabava no kitsch."

Trecho da entrevista no jornal O Povo de hoje com o cineasta francês Georges Gachot. O seu filme "Maria Bethânia - Música é perfume", foi produzido pelo canal francês ARTE e já exibido em circuito cinematográfico na Europa. O cineasta passou cinco anos, de 1998 a 2003, pesquisando não só sobre Bethânia, mas sobre a música brasileira. Ano passado o documentário foi apresentado na 29ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e está em cartaz em várias capitais do Brasil.

A entrevista na íntegra pode ser lida na página
http://www.noolhar.com/opovo/vidaearte/591221.html

cartazes de cinema - 1


Inicio hoje uma série de postagens sobre cartazes de cinema. Filmes de todas as nacionalidades, gêneros e datas. A prioridade é o cinema.
Os cartazes sempre despertaram as atenções do espectador. É o primeiro contato que se tem com o filme, ali na frente do cinema, quando as salas de cinema tinham frente. Mesmo assim, hoje no mundo do multiplex, os cartazes em 3D e em proporções de um outdoor continuam atraindo os primeiros olhares, como se buscássemos o resumo do que veremos na tela.

O cartaz acima é do longa de estréia de Rogério Sganzerla (1946 – 2004), lançado em 1968. O cineasta catarinense radicou-se em São Paulo na década de 60, juntando-se a nomes como Andrea Tonacci, Carlos Reichenbach, Ozualdo Candeias, José Mojica Marins, entre outros. Foi nascendo nessa época o chamado Cinema Marginal Paulista, tendo como espaço a Boca do Lixo, que agrupava não somente cineastas, mas também jornalistas, críticos, cineclubistas.

“O bandido da luz vermelha” foi um filme feito na Boca e sobre a Boca. Sganzerla escreveu o roteiro baseando-se nas proezas do marginal João Acácio Pereira da Costa, que roubava casas luxuosas na capital paulista, usando uma lanterna vermelha, daí o apelido dado pela imprensa da época. E Paulo Villaça tem uma atuação antológica no papel principal, assim como é inesquecível a presença de Helena Ignez, a musa do Cinema Marginal. Uma curiosidade: no elenco os cineastas Carlos Reichenbach e Maurice Capovilla, e a então desconhecida Sônia Braga.

A criador do cartaz é José da Costa Cordeiro, também produtor do filme.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

fora da tela

foto acervo TempoGlauber

"Foi coisa de cinema. Um cara entrou na minha produtora a pretexto de pedir emprego para uma prima. Ele já havia postulado uma vaga na Caliban indicado pelo Sine. De repente sacou um spray de Baygon, e um revólver 38, jogou Baygon no olho das pessoas e apontou a arma obrigando todos a se deitarem. Em seguida obrigou a tomar um remédio fortíssimo para entorpecer as pessoas. Um assistente que chegou atrasado tocou a campainha, o bandido abriu a porta e jogou o spray no olho do rapaz que instintivamente protegeu-se. O cara então atirou. A campainha tocou novamente, ele apavorou-se e fugiu pela porta dos fundos levando mochilas e objetos pessoais.

O delegado que acompanhou o caso e resolveu rapidamente - o cara está preso - disse que pelo perfil do cara escapamos de uma tragédia maior. O rapaz que levou o tiro será operado amanhã para retirar a bala que se alojou no maxilar mas passa bem.

Obrigado a todos pelo interesse e pelo carinho".

Silvio Tendler, cineasta


Isso não é argumento do próximo filme do Silvio. Ele é muito criativo mas não brincaria com uma coisa dessa, nem seria seu gênero de cinema. Aconteceu há pouco e só nos faz ficar mais inseguros, no Rio de Janeiro e em qualquer canto pra onde a gente se vire.

terça-feira, 2 de maio de 2006

não é mera coincidência


Quem viu o documentário "Sacrifício – Quem traiu Che Guevara" (Sacrificio - Who betrayed Che Guevara?), que reconta a história da morte do revolucionário na Bolívia a partir de depoimentos dos sobreviventes, sabe que a dupla de documentaristas suecos Erik Gardini e Tarik Saleh é afiadíssima.
No seu novo filme, "Gitmo" (Gitmo - The new rules of war), os dois partem das denúncias de tortura feitas pelos prisioneiros europeus libertados da base militar de Guantánamo e percorrem os EUA atrás da resposta à pergunta: o que acontece de verdade na prisão americana em Cuba? Entre outras revelações, o filme mostra a “lista da tortura”, um requerimento enviado pelo comandante dos interrogatórios de Guantánamo ao secretário de defesa americano Donald Rumsfeld pedindo autorização para endurecer os métodos de obtenção de informações dos presos. A sinistra lista inclui “técnicas” como o uso de cachorros, manejo de temperatura, alimentação a pão e água, manutenção dos presos de pé em posições desconfortáveis, solitária por mais de 30 dias e experimentos sexuais; e foi aprovada e assinada pelo próprio Rumsfeld. Qualquer semelhança não é mera coincidência: o filme "Gitmo mostra a relação entre as técnicas de tortura usadas em Guantánamo e na prisão de Abu Graib, no Iraque.
Visitando São Paulo para o Festival É Tudo Verdade, o diretor Tarik Saleh recebeu Natalia Viana, da revista Caros Amigos, para uma entrevista.

Dê um clique aqui
http://carosamigos.terra.com.br/do_site/sonosite/sonosite.asp e leia a matéria na íntegra. E esperar o lançamento nacional do filme.

Afrânio Vital, um cineasta brasileiro

foto Acervo pessoal

"Talvez eu seja o negro que mais dirigiu filmes neste país. Consegui dirigir três longas-metragens e quinze curtas porque eu não sabia que era negro, na minha ingenuidade me julgava igual a todos, levava porradas, levantava e retomava o trabalho pacientemente. Pensava assim: 'o erro é meu, você tem que aprender mais, ler, trabalhar.'”

"O cinema brasileiro saiu dilacerado no pós-Embrafilme. Tentam já há muito tempo acabar com ele, mas acredito que vai ser difícil. Hoje os novos cineastas tentam levantá-lo. Vejo como positivo hoje a mesma ausência do ranço ideológico dos filmes pré-Embrafilme, que ainda ecoaram em grande parte nos anos 70 e 80. E vejo como negativo a ingenuidade de se moldar pelo desejo do mercado externo e do sonho do Oscar, ao invés de se lutar pra garantir o nosso mercado. Pode ser que eu esteja errado, mas acredito que a coisa é simples, a grande verdade é que enquanto formos estrangeiros em nossa própria terra, não acredito que possa haver uma evolução de nosso cinema. Tem que se reservar espaço para nossa indústria cultural e não deixá-la totalmente entregue ao que chamam de liberalismo econômico. Por que este liberalismo não existe lá? Lá eles defendem seus interesses com ameaças de retaliação. Este liberalismo nada mais é do que um neo-colonialismo disfarçado."

"As pessoas têm medo de suas bundas, de seus sovacos, de seus excrementos e até de suas lágrimas. E julgam que o colonizador não fede. Todo mundo tem medo das diferenças e todos sonham em ganhar um Oscar e ficar semelhante ao neo-colonizador, este ideal é o que é perseguido no momento. Fazer os filmes para ganhar o Oscar, vamos ver quem vai ser o primeiro a ser comprado, é o ideal dos cinemas do mundo todo. Filmes de planos rápidos e comerciais para evitar a reflexão, ou pastiches mal estudados de filmes antigos refeitos com glamour superficial. A coisa é muito simples e ninguém vê. É Marx, pois 'farinha pouca, meu pirão primeiro' e é Freud, 'tem que se descarregar o ódio em cima de alguém'. Esta é a época em que vivemos e isto ainda vai levar muitas décadas até ser modificado."


Dia desses acessei o site Estranho Encontro, e me deparo com a entrevista com o cineasta Afrânio Vital, até então sumido do mapa, mas muito bem guardado na minha lembrança, assim como são inesquecíveis outros diretores brasileiros de quem assisti tantos e tantos filmes nas décadas de 70 e 80. Vital, 56 anos, dirigiu somente três longas e vários curtas, mas o suficiente para demonstrar o talento de um diretor que sabia tratar com inteligência o tipo de cinema que se fazia na época, a comédia erótica, e que ficou cunhada pejorativamente de “pornochanchada”. A chamada "crítica especializada" sempre olhou enviezado para essa grande produção cinematográfica do Brasil, enquanto o público olhava diretamente para a tela.

Antes de estrear na direção de longas, Afrânio trabalhou com diretores já importantes como Carlos Hugo Christensen (1920 – 2000), Miguel Borges, Perry Salles, e foi assistente de direção de ninguém menos do que Walter Hugo Khouri (1929 – 2003), que dizia ser ele “um crítico de superior cultura e informação a nível dificilmente encontrado no país”, como escreveu no release do seu primeiro longa, “Os noivos”, de 1978.

O bom mesmo é ler a entrevista na íntegra e comprovar as palavras de Khouri, clicando http://estranhoencontro.blogspot.com/2006/03/biografia-entrevista-afrnio-vital.html.
Aliás, esse blog, da pesquisadora Andréa Ormond, é outro caso maravilhoso, que comentarei depois. Adianto que, pelo que eu saiba, é a única página na internet totalmente dedicada ao cinema brasileiro.

dica do dia

"Caros amigos, pra quem está em São Paulo ou queira encaminhar essa dica a um amigo de lá que goste de cinema. Estou no elenco desse curta maravilhoso da Sandra Kraucher e do Eduardo Ramos. Beijos à todos!"

Karla Karenina

Recebi agora esta mensagem da atriz cearense. O filme é uma comédia urbana em que o encadeamento de uma série de situações casuais mostra a fria face da intolerância nas grandes cidades. Do vendedor de balas nas esquinas à poderosa autoridade, todos parecem dividir seu tempo entre ter que se desculpar a alguém ou achar que o outro está mentindo.

A exibição faz parte do chamado Curta Cinemateca, projeto de exibição permanente para o curta-metragem brasileiro. As sessões são gratuitas.

o som do trombone

"Viva volta", de Heloísa Passos. Foto MáquinaProduções

O brasileiro Raul de Souza já foi considerado um dos maiores trombonistas do mundo. Isso aconteceu há algumas décadas, no início de sua carreira, quando excursionou por alguns países tocando com feras do jazz, como Jimmy Smith, Sonny Rollin, George Duke, Freddie Hubbard, Chick Corea e outros.
Quando participou de festivais de jazz em Montreux, Monterrey e no Brasil, arrancou elogios da crítica especializada, que o colocou como um dos músicos mais promissores que existiam na época, na década de 70. O primeiro de uma série de sucessos veio com o disco "Colors", lançado nos Estados Unidos. Porém, após fixar residência em Paris, onde se casou com uma francesa, Raul de Souza atualmente sofre com a falta de reconhecimento em seu país de origem.

No documentário "Viva volta", a diretora Heloisa Passos apresenta a recente história de Raul de Souza. Ao som do trombone do músico, o filme leva o personagem de volta a Bangu, no Rio de Janeiro, e reconstrói sua trajetória, com suas glórias do passado e a luta diária de ser um músico. Além disso, promove o reencontro de Raul de Souza e Maria Bethânia que juntos celebram a devoção pela música.
O filme estreou no Festival Internacional do Rio de Janeiro, em outubro de 2005, e desde lá já possui uma respeitada carreira em festivais. Foi premiado como o melhor documentário no 12º Festival de Cine e Vídeo de Vitória. Heloísa Passos acaba de voltar do México onde apresentou o documentário no XXI Festival Internacional de Cine em Guadalajara.

Heloísa Passos é conhecida nacionalmente pela sua atuação com fotografia de cinema. "Viva Volta" é seu segundo trabalho como diretora, sendo que o primeiro foi a ficção "Do tempo em que eu comia pipoca", em parceria com Catherine Agniez. Heloísa assina a direção de fotografia do recém-lançado "Mulheres do Brasil", de Malu de Martino, dos curtas "Visionários" e "Paisagem de meninos", de Fernando Severo, e de futuros lançamentos como "Meninas", de Sandra Werneck, "Carranca de acrílico azul piscina", de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes.

O lançamento oficial do documentário "Viva Volta" acontecerá no dia 8 de maio, em Curitiba.
Outras informações na página www.lidemultimidia.com.br