quarta-feira, 21 de setembro de 2005

quem é essa mulher?


“Quem é essa mulher/que canta sempre esse estribilho/só queria embalar meu filho/que mora na escuridão do mar”

Essa mulher é Zuzu Angel. Esses versos são da música “Angélica”, que Chico Buarque compôs para ela, logo após sua morte em 1976, e está no disco “Almanaque”, de 1981. O filho que deixou de ser embalado pela mãe, era Stuart Angel, estudante de Economia, preso em maio dos anos de chumbo de 1971, por agentes do Centro de Informação da Aeronáutica, torturado e assassinado, e o corpo possivelmente jogado na escuridão do mar. Tinha 26 anos, era militante do Movimento Revolucionário 8 de outubro, o MR-8. Há relatos horríveis de testemunhas que estiveram com o rapaz na prisão, como Alex Polari, que disse ter visto ele ser arrastado por um jipe, com a boca no cano de descarga.
A mãe, estilista reconhecida no Brasil e no exterior, dedicou sua vida a denunciar a morte do filho, enfrentando com coragem os generais da ditadura, apontando-os nominalmente, criando peças com estampas que representavam o período de repressão em que se vivia. Ela sempre foi uma estilista ousada, fazendo roupas com pedras e rendas do Nordeste, desvinculando-se da maneira colonizada de se vestir. Em abril de 1976, Zuzu Angel morreu misteriosamente em “acidente” de automóvel na saída do túnel Dois Irmãos, na Estrada da Gávea, Rio de Janeiro, local que hoje tem seu nome.
O cineasta Sérgio Rezende está filmando a vida dessa mulher que usou a moda para denunciar a ditadura militar no Brasil. Antes, Walter Salles e Roberto Gervitz (que fez recentemente “Jogo subterrâneo”), tentaram lá pelo anos 80 passar para a tela essa história singular. Pelo que se sabe, a jornalista Hildegard Angel, filha de Zuzu, não gostou muito dos roteiros apresentados. Era uma “personagem fictícia”, dizia.
O novo roteiro, escrito por Rezende e Marcos Berstein (diretor de “O outro lado da rua”), aborda a trajetória de sofrimento não somente no aspecto biográfico, mas do período difícil dos anos 70. Patrícia Pillar vive a estilista no filme já intitulado “Zuzu Angel”. A atriz que foi a primeira escalada para interpretar “Olga”, numa produção que não seria digirida por Jaime Monjardim, mas por Luiz Fernando Carvalho (“Lavoura arcaica”), terá a oportunidade agora de viver o papel de outra heroína de nossa história recente. Um nome de destaque no elenco é Daniel de Oliveira, ele mesmo, o que encarnou com perfeição Cazuza no filme de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Desta vez ele será o filho desaparecido de Zuzu.
As filmagens, que estão acontecendo na capital carioca e se estenderão em Juiz de Fora, Minas, devem terminar em outubro, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2006.

5 comentários:

edwardandres2558 disse...

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Claudio Eugenio Luz disse...

Pois é, o cinema precisa relembrar e contar essas histórias. Como é que a gente constroi um país sem enfrentar seus traumas, sujeiras e pecados? A memória precisa estar na tela grande e não apenas nos livros - quando está. Um filme que gostaria de ver na tela é a vida de 'LUIZ GAMA'. Como não sou roteirista, não me lanço nessa empreitada. Nirton, não sei se fosse escreve roteiros ou se conhece alguém, mas a autora do livro sobre a vida de luiz gama está atrás de um.

hábraços

Nirton Venancio disse...

Caro Eugênio,
o meu trabalho em cinema é justamente esse: escrever roteiro e digirir filmes. Tenhos cinco curtas e um média-metragem, e tento rodar o meu primeiro longa.

Luiz Gama que você fala é o poeta baiano, do século 19? Sei que o José Paulo Paes tem um livro sobre ele. Quem escreveu a biografia dele, foi Stella Leonardos? O pouco que sei sobre o poeta é realmente interessante, daria um belo filme.

Claudio Eugenio Luz disse...

Não, o nome dela é Ligia F. Ferreira. Dedicou-se os últimos sete anos atrás da vida do Luiz Gama.É considerada uma autoridade. Ela, pessoalmente, me disse que estava procurando um roteirista. Sinceramente, a vida dele daria um excelente filme.

Nirton Venancio disse...

O meu e-mail está nos blogs, Cláudio Eugênio. Roteiro de cinema é sempre algo me interessa. Podemos fazer primeiros contatos...