sábado, 17 de setembro de 2005

o imaginário Buñuel


"A memória é permanentemente invadida pela imaginação e pelo devaneio, e como existe uma tentação de acreditar no imaginário, acabamos por transformar nossa mentira em verdade."

Luis Buñuel (1900-1983), cineasta espanhol que nos deu o prazer do devaneio e da imaginação em mais de trinta filmes ao longo de sua carreira. Obras como "Viridiana" (Viridiana), 1961, "O anjo exterminador" (El angel exterminador), 1962, "A bela da tarde" (Belle de jour), 1967, "O estranho caminho de São Tiago" (La voie lactée), 1969, "Tristana, uma paixão mórbida" (Tristana), 1970, "O discreto charme da burguesia" (Le charme discret de la bourgeoisie), 1974, estão definitivamente registradas na história do cinema. São indispensáveis, merecem sempre revisões e deleites. Buñuel viveu e trabalhou por muito tempo na França e também no México, onde fez um filme belíssimo sobre delinquência juvenil , "Os esquecidos" (Los olvidados), 1950. E foi lá que ele se auto-exilou, já abatido pela surdez e considerando finalizada sua contribuição ao cinema, embora desejasse filmar "A casa de Bernalda Alba", de García Lorca. "Meu último suspiro", livro de memórias, foi ditado ao roteirista Jean-Claude Carrière, em longas conversas, pouco antes de morrer. O livro é de uma sinceridade comovente, mesmo que exista essa tentação de se acreditar no imaginário.

Um comentário:

Cris disse...

Adorei a sua matéria sobre Buñuel, ainda não li o livro, mas já está na minha lista de leitura, Beijinhos.