quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

amar, verbo intransitivo



"Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, não se deve amar. Mas, então, sofre-se por não amar. Portanto, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar; logo, ser feliz é sofrer. Mas o sofrimento deixa a gente infeliz, portanto para ser infeliz deve-se amar, ou amar para sofrer, ou sofrer por excesso de felicidade. Espero que você esteja entendendo."
Uma das falas do personagem central de A última noite de Boris Grushenko"(Love and Death), de Woody Allen, 1975. O que parece ser um um aforismo engraçado é muito mais do que um jogo de palavras sem sentido.
O cineasta novaiorquino, com seu humor afiado e inteligente, sabe como poucos fazer o seu discurso sobre o amor, o sexo e seus disfarces.
Nesse filme, Allen usa diálogos e ambientações que de forma engenhosa parodiam clássicos da literatura russa. Estão lá Dostoiévsky e Tolstoi.
Os clássicos do cinema também são por muitas vezes referências para as comédias de Woody Allen. Fascinado pela obra de Ingmar Bergman, a foto acima, com Diane Keaton e Olga Georges-Picot, é uma citação a cena de Bibi Andersson e Liv Ullmann, em Persona.
Allen seria trágico se não fosse cômico. Ou o contrário. Amar e sofrer. Sofrer e amar. Espero que você esteja entendendo.

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