domingo, 25 de novembro de 2012

o último dos poucos

Em 1993 assisti a um dos últimos shows de Sérgio Sampaio (1947-1994), no bar Feitiço Mineiro, aqui em Brasília. Foi uma satisfação realizada ver, ouvir e falar com um dos artistas que mais admiro. Um dos meus queridos anjos tortos. Entreguei-lhe um poema de paixão escrito ali num guardanapo, respingado de caipirinha e algumas furtivas lágrimas de alegria. Ele autografou o seu primeiro elepê que levei, admirado e surpreendentemente tímido. Não imaginaria que partiria no ano seguinte. Ninguém imagina esses incômodos, principalmente de quem se ama.

No show de Luiz Melodia em Brasília, quarta-feira passada, ele cantou muito especialmente uma das belas canções de Sérgio Sampaio, a confessional "Que loucura". Emocionante. Os dois eram grandes amigos. Para ele, Sérgio compôs "Doce melodia", na verdade criada e cantada por eles, gravada no excelente álbum "Sinceramente", que o cantor capixaba gravou em 1982.

Sérgio Sampaio, aquele que queria botar o bloco na rua, nunca fez concessão às exigências e burrice de alguns setores da música brasileira. Anos-luz à frente de muitos, com sua música e letras que são verdadeiros poemas.

Íntegro, não se entregou: morreu de parabélum na mão.

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