quinta-feira, 2 de agosto de 2012

o cinema no clube

Um dos folhetos do Cinema de Arte do Cine Diogo, em Fortaleza, nos anos 70. Os textos, impressão e distribuição eram de responsabilidade do Clube de Cinema de Fortaleza, presidido por Darcy Costa. Dele recebi a tarefa de edição dos folheto
s. Sem internet, sem Google, e numa Remington 23, eu coletava as criticas dos filmes, fichas técnicas, pegava fotos de revistas, e muitas vezes, nós do cineclube escrevíamos sobre alguns filmes programados. O Darcy fazia a revisão antes de eu levar para a gráfica Tipogresso. Eu gostava de ir pegar o pacotaço de 1000 exemplares, sentir aquele cheiro característico de tinta e papel "saindo do forno". E fazíamos a distribuição sempre nas primeiras sextas-feiras de cada mês, antes das sessões. Lembra, Afonso Celso?

Saudosismo à parte, sinto falta desse sangue pulsante nas veias do movimento cineclubista, quando se aprendia Cinema vendo e discutindo bons filmes, quando existiam críticos de cinema e não resenhistas, quando existiam páginas inteiras nos jornais dedicadas aos filmes em cartaz e não blogs cheios de bobagens do cinemão industrial.

Há uma inquietação nas cabeças pensantes que fazem cinema e os cineclubes estão voltando.Caroline Vieira, Duarte Dias, Aleksandra Perira, Duarte Dias, Francis Vale, Marcley de Aquino, Marcelo Ikeda, e outros amigos sinalizam, apontam uma luz na sala escura. É uma tarefa difícil. Um trabalho de reeducação mesmo. Tentar convencer que o trabalhador humilde Antonio Ricci de "Ladrões de bicicletas" é mais herói que Batman, Homem-Aranha, Homem-de-Ferro e toda a "Cinta-Liga" da Justiça não é fácil. Para quem acha que Christopher Nolan é gênio porque fez "Amnésia", ou sofre do que diz o título ou nunca viu "O homem com a câmera", de Dziga Vertov.

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