domingo, 5 de fevereiro de 2012

daspu

 foto Divulgação

Em cartaz no CCBB em Brasília, a peça "Filha, mãe, avó e puta", dirigida por Guilherme Leme, com Alexia Dechamps e Louri Santos, tem montagem equivocada, que dilui e disperdiça completamente a força e singularidade da história. Baseada na autobiografia de Gabriela Leite, lançada em 2009, narra com extrema sinceridade e naturalidade, a tragetória da então estudante de filosofia da USP que no começo dos anos 70 optou pela prostituição como profissão, lutou pelo reconhecimento da atividade, e teve notoriedade como criadora da Daspu, da Ong Davida e por sua participação nas campanhas contra a Aids. 

A fragilidade da adaptação teatral é o formato de entrevista como narrativa. Sentados a uma mesa, um jornalista faz perguntas para a convidada, como estivessem em um estúdio de televisão. Cara a cara. A peça ganharia muito mais pulsação dramática se fosse um monólogo da personagem expondo sua história para a platéia, com movimentos em cena que o próprio texto sugere. Mas aí precisaria de uma outra atriz.

Fico com o livro.

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