sábado, 26 de maio de 2007

o olho da câmera


O diretor e fotógrafo Jorge Bodanzky não parte do “purismo” do documentário. Não age como um espectador que registra o que acontece e mostra para os outros. Ele participa, interfere por meio dos personagens.


Hoje, às 17h30, no Canal Brasil, o programa Retratos Brasileiros será dedicado ao cineasta, num especial dirigido por Evaldo Mocarzel e narrado pelo próprio biografado, que comenta alguns de seus filmes, como “Os Mucker”, de 1980, “Gitirana”, co-dirigido com Orlando Senna dois anos antes, assim como o filme de estréia, o clássico “Iracema – uma transa amazônica”, de 1974. “Terceiro milênio”, que ele dirigiu junto com Wolf Gauer, em 1981 e “Igreja dos oprimidos”, de 1986, também serão comentados. Bodanzky tem como marca a câmera na mão, o olho uma extensão da lente.


Sobre “Os Mucker”, seu “projeto épico”, ele lembra o dia em que faria uma grande cena de batalha, com centenas de figurantes, e Paulo César Pereio desapareceu. Foi encontrado horas depois, na praia, a 100km dali, namorando. Sobre “Terceiro milênio”, fala do senador Evandro Carreira, que dormia o dia todo e de repente saía desembestado. Na cena seguinte, lá está o político, explicando que na Amazônia é preciso viver tranqüilo.


Bodanzky sabe bem disso. Há mais de 30 anos filmando a região, ele hoje tem um barco, chamado "Navegar Amazônia", com laboratório multimídia no segundo andar, para registrar e divulgar a cultura de lá.

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