sábado, 12 de maio de 2007

a leste do éden

foto MGM/Divulgação

Tentando me livrar do bombardeio midiático por todos lados da passagem pelo Brasil do cardeal Joseph Ratzinger, o Bento XVI, fui reler uns textos sempre atualíssimos de Dom Pedro Casaldáliga e dar uma lida em trechos de alguns dos mais de 60 livros de Leonardo Boff. Como se sabe, Boff foi punido com o silêncio obsequioso pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, após a publicação do livro "Igreja, Carisma e Poder", que analisava a estrutura hierárquica da Igreja Católica a partir da metodologia marxista. O prefeito da Congregação era o atual papa. Em sua página na internet, Leonardo Boff analisa a visita do Sumo Pontífice, discorre a crise institucional em que vive a Igreja, e tantos outros assuntos pertinentes.


E continuando na contramão das pautas jornalísticas da semana, procurei ainda rever um documentário muito bom que Silvio Da-Rin dirigiu em 1985, "Igreja da Libertação", abordando o tema da teologia da libertação, apontando naquele momento as injustiças sociais durante o governo Sarney. Não consegui o filme, e me contentei com o dvd de "As sandálias do pescador" (The shoes of the fisherman), produção de 1968, dirigida por Michael Anderson.


Em 1963, o australiano Morris West escreveu a novela "As sandálias do pescador", na qual antecipava a chegada ao Vaticano de um sacerdote surgido do leste europeu comunista. Quinze anos mais tarde, o polonês Karol Wojtyla era nomeado papa. O cineasta inglês se baseou nesse profético best-seller para dirigir aquele drama religioso do final da década de 60. A primeira vez que vi o filme, eu era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones, e saí impressionado do cine São Luiz, em Fortaleza. O grande Anthony Quinn (foto) interpreta o arcebispo ucraniano Kiril Lakota, prisioneiro durante 17 anos na Sibéria sob o regime comunista. Quando as relações entre a Rússia e a China se deterioram, o premier russo Kamenev, interpretado por Laurence Olivier, o liberta, e ele se converte em cardeal. Kamenev deseja ter um representante no Vaticano para futuras situações políticas. Depois da morte do papa, na pele de outro grande ator, John Gielgud, Lakota se postula como firme candidato para comandar os destinos da Igreja Católica em uma época complicada. O filme de Anderson, apesar de duas indicações ao Oscar (direção de arte e música) não ganhou nenhum prêmio. Mesmo assim, tornou-se um clássico.


Anthony Quinn, pelo menos, convence mais como papa.

3 comentários:

dioneide disse...

Adorei essa matéria Nirton!
No momento mais oportuno..
Sempre voltarei por aqui...
bj

Débora Costa e Silva disse...

Olá Nirton!
Gostei muito do seu blog também! E fiquei curiosa para ver o filme!
Obrigada pela visita
Abraços!

Roberto disse...

alguem poderia informar onde posso conseguir esse dvd para comprar?
roberto