terça-feira, 10 de abril de 2007

outros 300

"Filme: O Rei Leônidas, de Esparta, quer guerrear contra a Pérsia, embora o político espartano Theron prefira uma saída diplomática para o impasse ao qual chegaram as duas nações. Tentando legitimar sua atitude bélica, Leônidas recorre então a uma espécie de Conselho de magos e anciãos, como que pedindo permissão e 'benção' para o ataque. O Conselho rejeita. Leônidas desobedece a todos e parte para a guerra assim mesmo.

Realidade: Bush quer invadir o Iraque. Setores moderados do governo propõem outras saídas. A ONU não permite. Bush invade assim mesmo, desrespeitando abertamente o Conselho de Segurança das Nações Unidas."

"Filme: Em determinado momento da guerra, o povo Árcade, mostrado desde o início do filme como uma nação cheia de boa vontade, mas fraca como guerreiros, abandona Leônidas e o exército Persa à sua própria sorte, quando as coisas começam a ficar mais complicadas.

Realidade: Bush nunca escondeu o seu repúdio contra os países que se uniram ao EUA nos primeiros ataques ao Iraque, e que depois foram reduzindo ou até mesmo zerando seus homens no campo de batalha. O próprio ministro britânico Tony Blair, pressionado pela opinião pública, reduziu seus homens no Iraque, no mesmo momento em que Bush solicitava o envio de mais tropas."

"Filme: Leônidas vai a guerra e deixa com sua esposa, a rainha Gorgo, a missão de fazer com que os políticos espartanos obtenham permissão para o envio de mais soldados, enquanto os famosos “300” seguram as pontas no campo de batalha.

Realidade: Como Bush, em pessoa, não vai ao campo de batalha, ele não precisa delegar essa missão a ninguém, mas o presidente dos EUA solicita repetidamente verbas e mais verbas para dar continuidade à sua guerra. Recentemente, em janeiro, ele pediu mais US$ 100 bilhões para dar prosseguimento à ocupação do Iraque."

Trechos da mais pertinente das críticas que li sobre "300" (300), produção americana dirigida por Zack Snyder, esse filme imbecil, equivocado, que banaliza a violência com argumento de um relato histórico, a batalha de Termópilas, ocorrida na Grécia antiga, mais exatamente em 480 a.C. O roteiro foi diretamente baseado nos quadrinhos, ou graphic novel, de Frank Miller, publicada em 1998.

No Brasil, o filme se destaca pela presença de Rodrigo Santoro no elenco, na pele do rei Xerxes.

Melhor é a produção de 1962, "Os 300 de Esparta" (The 300 spartans), dirigida pelo polonês de nascimento Rudolph Maté, com Richard Egan fazendo o rei Leônidas e David Farrar no papel que coube ao ator brasileiro. Ali os espartanos não estão reproduzidos digitalmente. É mais cinema. É possível encontrar em vhs ou dvd em alguma locadora que se preze.

As "mensagens cifradas" acima são observações do jornalista e crítico Celso Sabadin, no site Planeta Tela. Texto completo aqui.

Um comentário:

Celso Sabadin disse...

Puxa Nirton, ficou super legal. Obrigadão!!!