sábado, 13 de agosto de 2005

um curta no meio do mundo

Jacinto Moreno e Eleonora Montenegro. Foto Gustavo Moura

O cineasta paraibano Marcus Vilar finalizou o seu terceiro curta-metragem, “O meio do mundo”, rodado em 35mm. Em um lugar distante e atemporal, o pai decide que é chegada a hora de levar o filho para conhecer a vida. Com esse story-line, baseado no conto homônimo do escritor sergipano Antonio Carlos Vianna, o roteiro desenvolve uma interessante história sobre a virilidade, a honra, o machismo, conceitos que podem ser lidos em um simbolismo do universo rural nordestino.
No filme de 11 minutos não há falas dos personagens, muito menos narração em of.
Não há trilha sonora conduzindo a compreensão das cenas. Há duas músicas incidentais, devidamente apropriadas, inseridas no contexto dramático. E aqui vale citá-las: uma antiga canção dor-de-cotovelo de 1961, “Quem é”, de Maurílio Lopes e Sílvio Lima, este último o intérprete, que ficou mais conhecido como Silvinho, e fez sucesso no rádio há quarenta anos com outros bolerões arrasadores como “Esta noite eu queria que o mundo acabasse”. A segunda música no filme é uma produção mais recente, “Negro espírito”, do cd Lambacê (1998), de um compositor pernambucano de Serra Talhada chamado Escurinho. Se alguém se lembra da excelente peça “O vau da sarapalha”, baseada em Guimarães Rosa, montada pelo grupo Piolin, em 1992, e dirigida pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos, puxe pela memória a trilha sonora... É de autoria do Escurinho, e foi premiada em um festival em São José do Rio Preto, SP.
Citadas as músicas, vale agora mencionar o desafio do diretor em narrar o filme basicamente através das imagens e do som ambiente. Diante de inúmeras opções sonoras, gráficas, e tudo imaginável que a "idade-mídia" nos oferece para realizar um trabalho, chega a ser desafiadora a proposta de um filme que vai de encontro com a própria essência do cinema, que tem no silêncio da luz e da cor sua linguagem seminal.
Marcus Vilar tem dois curtas premiados, “ A árvore da miséria” e “A canga”. Nesse seu novo trabalho, financiado pela Lei Estadual Augusto dos Anjos e apoio da Universidade Federal da Paraíba, através da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários e Coordenação de Extensão Cultural, o cineasta contou com o auxílio luxuoso de Marcélia Cartaxo na direção de atores e do ótimo Roberto Iuri na direção de fotografia. O elenco é composto por Jacinto Moreno, Gabriel Salles, Eleonora Montenegro e Conceição Camarotti.
Conceição é aquela simpática senhora que no filme “Amarelo manga”, de Cláudio Assis, usa um inalador na genitália... Foi mais além de Dennis Hopper no belo e controvertido “Veludo azul” (Blue velvet), 1986, de David Lynch.

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