domingo, 20 de novembro de 2016

a última noite de Altman

foto Patrick Demarchelier

“Não acredito que vivamos uma guerra nos Estados Unidos, mas sim uma campanha de bombas”.

A declaração foi do cineasta Robert Altman durante a apresentação do seu filme A última noite (A Prairie Home Companion), no Festival de Berlim em fevereiro de 2006.
O filme, um musical country e uma evocação nostálgica da América, é uma saraivada de críticas à política do maluco então presidente George “War” Bush.
O enredo descreve a história de um programa de rádio transmitido semanalmente ao vivo há 30 anos, basicamente com música country, apresentado em um teatro que será demolido para dar lugar a um estacionamento.
O octogenário Altman compõe sua narrativa como sempre composta por uma rede de personagens. A forma ficcional e quase documentária retrata a imaginária última transmissão do programa. Nessa noite, os presentes são visitados por um anjo que veio para confortar os artistas. Esse viés sarcástico, crítico e inteligente é uma das marcas do diretor, desde MASH, 1970, uma sátira à Guerra da Coreia.
À propósito da forma de denúncia de Altman, a atriz Merryl Streep, à frente do elenco no Festival, disse que "esse filme é subversivo porque trata de algo que, ultimamente, se perdeu nos Estados Unidos: o senso de humanidade e o humor.” Que dirá agora nestes tempos do pato Donald Trump!...
Mesmo exibido como um dos concorrentes favoritos, o filme não recebeu nenhum prêmio. Altman estava muito doente de um câncer desde as filmagens. Tanto que contratou o amigo Paul Thomas Anderson como diretor reserva caso não tivesse condições de continuar. Nove meses depois de voltar de Berlim, em 20 de novembro, o cineasta faleceu.

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