sábado, 24 de março de 2012

meus Franciscos

"Eu sou muito ruim de datas", diz Chico Anysio em sua biografia "Sou Francisco", de 1991, logo no comecinho do livro, e no capítulo ele justifica essa sua falha.

E eu já sou bom de datas, meu querido conterrâneo, e não vou esquecer o dia 23 de março, quando liguei o computador e me deparei com a notícia. Não achei a menor graça, Chico. Eu sei que você lutou durante os últimos três meses para não se encontrar agora com o Seu Rolando Lero, o Samuel Blaustein, Bertoldo Brecha, Baltazar da Rocha, Dona Bela, Galeão Cumbica, Mazarito, Manuela D'Além-mar, Gaudêncio, Rui Barbosa Sá Silva, Pedro Pedreira, alguns dos alunos da sua Escolinha, mestre Raimundo, e estão lá com São Pedro. Mas a "indesejada das gentes" tem esse incômodo da pontualidade e não ser intermitente como bem idealizou Saramago em um dos seus livros.

Creio que sua última participação no cinema foi no filme do meu amigo Clébio Viriato, "O auto da camisinha", e está ótimo no papel de Padrinho. Que personagem mais adequado! Você se dispôs tão simpaticamente ao convite do Clebio e encantou dezenas de atores que contracenaram com você no sertão de Quixadá.

Sérgio Maggio, jornalista e dramaturgo aqui de Brasília, editou um suplemento especial sobre você no Correio Braziliense de hoje, e lembrou a bela homenagem que recebeu no projeto Mitos do Teatro Brasileiro, no CCBB, há dois anos, numa noite emocionante.

Você é múltiplo, Chico. Escrevia, atuava, cantava, vivia! Você é multimídia, você foi visionário. Você ficou vários com seus mais de duzentos Chicos. É muita saudade, Chico.

E permita-me dizer-lhe que você é meu segundo Francisco, o primeiro é meu pai, que lhe admirava e também já está sob outras luzes.

Um beijo, Franciscos.

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