quinta-feira, 29 de setembro de 2011

o passado hoje

Filmes sobre os anos de chumbo no Brasil me interessam. O tema já rendeu o meu curta "O último dia sol" e é referência no roteiro de um próximo, "Estranhas coincidências".

No Festival de Brasília me tocou muito "Ser tão cinzento", curta exibido no primeiro dia de competição, que Henrique Dantas fez sobre o cineasta Olney São Paulo e seu belíssimo "Manhã cinzenta", curta proibido pela ditatura no final da década de 60, na sequência de horrores com a decretação do AI-5.

Olney morreu jovem, aos 41 anos, de câncer no pulmão, mas o laudo verdadeiro foi consequência do que sofreu na prisão quando foi detido pelos militares no final de 69 por conta de seu filme, que teve os negativos e as cópias recolhidas. O cineasta também foi recolhido para local ignorado. Foi torturado, pegou pneumonia, quando liberado foi direto para o hospital.

O filme de Henrique Dantas é primoroso em resgatar e homenagear um brasileiro a quem Glauber Rocha chamava de "mártir do cinema brasileiro". Como disse a cineasta Tata Amaral, "é curativo ir ao passado". As novas gerações, principalmente, precisam saber a história do Brasil que as escolas não lembram. 

E é justamente de Tata Amaral que espero assistir a um bom filme: "Hoje" que será exibido (o trocadilho é inevitável) hoje na mostra competitiva de longa no Festival. O filme aborda o drama de uma ex-militante política e suas agruras sobre o ex-compaheiro desaparecido há duas décadas. Apostando hoje no passado.

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