segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Seu Luiz é pop

foto Arquivo NV

Hoje Luiz Gonzaga faria 98 anos. Os cadernos cês dos jornais estão tecendo homenagens, chamando-o de “pop”. Pop de popular, ou seja lá o que isso signifique, o velho Lua sempre foi um dos meus ídolos. 

Não cresci ouvindo João Gilberto, Chet Baker e Leonard Cohen, santíssima trindade, entre tantas outras, que venero e escuto quase diariamente. Cresci ouvindo Gonzagão, Roberto Carlos, Reginaldo Rossi... e até mesmo antes dos Beatles, as versões enviesadas de Renato e Seus Blues Caps. Eu fui Jovem Guarda: Tropicália depois. Eu ouvia Cego Aderaldo: Robert Johnson, Muddy Waters, John Lee Hooker tiveram que esperar a rabeca terminar o ronco no meu sertão. 

Esses músicos igualmente ótimos, a gente conhece depois, quando se sai dos bairros periféricos, vai-se morar num apartamentozinho melhor e passa-se no vestibular. Por um tempo sentia-se vergonha de gostar de baião, cantar “Detalhes” pra amada amante, e de ouvido pegava-se carona no radinho da empregada dizendo pro garçon que “no bar todo mundo é igual”... Eu nunca dei a mínima pra isso, nunca me importei com o que achavam ou perdiam. Assumia meus erros, pecados e vícios.

Uma vez um amigo, nos final dos anos 70, apertou o play do meu toca-fitas CCE e ao ouvir o Rei cantando “Cavalgada” passou o resto da tarde curtindo com a minha cara. Mandei-o embora cantar “Amor de índio”, do Beto Guedes, que ele achava o máximo – e eu também.

Luiz "Lua" Gonzaga sempre foi ídolo a altura de todos outros que hoje são "cult”. A primeira vez que assisti a um show do Gonzagão me emocionei tanto quanto ao ver e ouvir B. B. King. Entre o Rio São Francisco e o Rio Mississipi a distância é a mesma em que navega meu coração.

A benção, seu Luiz!

4 comentários:

Lila Dourado disse...

Nirton Querido...
Sabes bem o valor das sinfonias...quando literárias colam em mim, como as que vc escreve aqui. Rememoro agora as histórias musicais, além do baião que também adoro !
beijos dourados

Potengy Babi Guedes disse...

Estou triste por nã estar em Fortaleza hoje. Todo ano o Eurídes, pai do Valdonis, o sanfoneiro, faz uma festa na praça da igreja redonda. Dominguinhos é sempre uma presença garantida, entre uma legião de grandes sanfoneiros que vão lás prestigiar a memória do nosso saudoso Rei do Baião.

Pedro Carlos Alvares disse...

A benção seu Nirton!
Vencer o preconceito do resto do país contra o que tem de mais nosso, a alma nordestina, não deve ter sido tão difícil quanto vencer o pré-conceito das elites nordestinas contra a própria alma que nos povoa. O que asso...mbrava as nosas elites era essa nossa diferença, que as tornava distante dos rítmos estrnageiros que assolavam o Brasil pós guerra, como o Bolero e outros. O Baião se impôs, arrastando o xote, a toada e o xaxado que estavam esmorecidos...

rubens venâncio disse...

Esse é um post sobre educação munsical brasileira.
Salve, seu Lua!