segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

a luz dos olhos teus

 reprodução Arquivo Pessoal

Hoje é dia de Santa Luzia. A imagem dessa Santa é uma das mais fortes lembranças da minha infância, em Crateús, interior do Ceará, onde nasci e fui criado
Minha tia era devota e na parede do quarto onde eu dormia, era a primeira imagem que via ao acordar: batia um facho de luz que vinha de alguma telha quebrada. Nada mais sintomático: a jovem santa siciliana é protetora dos olhos, da visão, da luz. 
A minha impressão era que a Santa me abençoava a manhã, com a oferenda do par de olhos na bandeja.
Casa desfeita, parentes idos, herdei esse quadro e a saudade. Coloquei-o na cenografia dos meus dois primeiros curtas-metragens. Afinal, cinema precisa de luz.

5 comentários:

João Alberto Nogueira Tavares disse...

nirton, também me sinto muito inspirado pelas imagens dessas santas que povoam a nossa infância de garoto do interior.
mamãe gosta da santa CLARA.

Kennedy Saldanha disse...

Motivados por uma fé inabalável é que estes icones resistem ao tempo e a propria vida.

Eliane Silvestre disse...

que linda, Nirton, esta sua descrição da infância , cheguei a visitar sua casa...tb tenho nesta santa lembrança de pessoa querida que já foi para o andar de cima, uma tia Yedda que gostava de pingar nos nossos olhos o colírio de Santa Luzia...eu não precisava de colírio, enxergava a vida sem manchas, sem nada que me impedisse de acreditar e seguir em frente, como gostaria de enxergar agora.

Hilda. disse...

Também a Santa que embalou minha infância. Tantas vezes adormeci encolhidinha naquele prato que vê... Não me curou as vistas - ainda as tenho defeituosas - mas me ensinou a enxergar além dos horizontes! Na partilha, os herdeiros negaram-me o quadro. Que me importa? Tenho-o em lugar de honra na parede das minhas melhores recordações.

Pedro Carlos Alvares disse...

A santa lá de casa era N. Senhora das dores. Tinha novena e proci~são que nós crianças acompanhavámos sem saber prá onde nem porquê. mulheres de meia e adiantada idade cantavam como se tivessem ensaiado num coral...era interessante, sobretudo quando acabava e a gente podia ir prá casa assistir, Bonaza...