segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

o cinema desconhecido

 
 foto Marcel Hartman

"Os filmes de Hollywood deseducam o público. Pior: eles mudam os conceitos do público. Hollywood faz o público pensar que todo filme deve ter artistas famosos, cenários grandiosos, efeitos especiais. Nos anos 1970, Hollywood produzia bons filmes, mas depois passou a criar para o mercado, com ideias que se repetem para ganhar dinheiro. Aí aparecem 'Superman 1,2,3', 'Homem-aranha 1 e 2'. Isso tudo deforma o público. Os mais novos, então, já crescem nesse ambiente de superficialidade. Esses filmes divulgam um estilo de vida: ganhar dinheiro, fazer sucesso. A qualidade de vida das pessoas não é o mais importante. Por isso tenho muito medo quando vejo o governo de um país financiamento filmes hollywoodianos."

Lúcida reflexão do cineasta malaio Tsai Ming-Liang, em passagem pelo Brasil, acompanhando a mostra "O homem do tempo", promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), com apresentação de seus principais filmes, entre eles os ótimos "O rio" (He liu), "O buraco" (Dong), o recente "O sabor da melancia" (Tian bian yi duo yun), e mais curtas, médias, filmes para TV e documentários sobre esse "diferente" diretor.

Tsai é conhecido (ou desconhecido) pelos seus filmes lentos, sem nenhuma música, roteiros que não seguem tramas convencionais. Há momentos que lembram Michelangelo Antonioni, não por acaso uma de suas referências. Ele manifesta sempre sua admiração por Francois Truffaut, especificamente "Os incompreendidos" (Les 400 coups), de 1959.

Não troco um segundo de take de Ming-Liang por uma bobagem tridimensional como "Avatar", uma tolice tríplice como "Comer, rezar, amar", uma viagem infanto-xamanista como "Harry Potter".

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