domingo, 30 de março de 2008

o vazio da América

caricatura Abaptista

"Bush tem uma das caras mais vazias da América. Ele tem tanta profundidade quanto uma cusparada sobre uma pedra. Ele provavelmente nunca disse para si mesmo: 'Eu não mereço ser presidente'. Não é possível confiar em um homem que nunca se sentiu constrangido pela própria atuação. Cada sorrisinho dele é um verdadeiro tratato sobre a presunção."

Reflexão lúcida e desencantada do escritor norte-americano Norman Mailer, falecido ano passado, aos 84 anos. Esta e mais tantas outras observações e idéias estão no livro "O grande vazio", lançado em 2005, onde reune várias conversas com seu filho, o dramaturgo John Buffalo.

De Rooselvet a Bush, passando pela presidenciável Hillary Clinton, o livro é uma radiografia verdadeira e implacável sobre os Estados Unidos, que mesmo reconhecendo ser uma democracia grandiosa, Mailer aponta como um país menos civilizado justamente pelo poderio econômico dos últimos 40 anos. Segundo ele, "quanto mais poderosos nos tornamos, mais revelamos nossa ignorância sobre a natureza das outras culturas."

À propósito da besta-fera, imperdível o documentário do inglês Gabriel Range, "A morte de George W. Bush" (Death of a president), lançado nos cinemas brasileiros. Premiado no Festival de Toronto, o filme mostra como seria o mundo caso o presidente americano fosse assassinado. Reunindo em uma montagem muito precisa cenas reais com outras fictícias, o trabalho é o que se pode chamar de "falso documentário". O filme é ótimo, verdadeiramente. Orson Welles aplaudiria.

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