sábado, 5 de abril de 2008

a voz de Billie

foto Arquivo NV

Logo na abertura do ótimo filme "Sophie Scholl - Uma mulher contra Hitler" (Sophie Scholl - Die letzten tage), de Marc Rothemund, ouvimos a bela voz da cantora americana Billie Holiday, cantando uma de suas mais bonitas canções, "Sugar". A atriz Julia Jentsch, na personagem título, acompanha a música com o ouvido colado no rádio, cantarola, e a cena é interrompida, partindo para outra seqüência.

Durante o desenrolar de quase duas horas de filme, aquela música lá do final dos anos 30, ficou na minha cabeça, suavemente ecoando. Esperei o final e peguei o cd duplo "The best of Billie Holiday": disco 2, faixa 5. Que maravilha de música, voz, interpretação!

Minha cantora preferida de jazz é Dinah Washington, mas é impossível não se encantar com tantas outras, como Ella Fitzgerald, Bessie Smith, Ethel Waters, Betty Carter, Carmen McRae, Alberta Hunter, Nina Simone... só para ficar lá pelas décadas de 20 a 50. Uma das mais perfeitas vozes do jazz contemporâneo é Diana Krall.

O que particulariza o estilo de Billie Holiday é a essência de sua interpretação. Sua conturbada vida parece desfolhar-se em cada canção, não somente pelas letras das músicas, mas pela maneira como essas canções saem da sua alma, são extraídas lá do mais íntimo do coração.

Quando nasceu, seu pai, um tocador de banjo, tinha apenas quinze anos de idade e sua mãe não mais do que treze . O pai abandonou a família e a mãe deixava a filha bebê com familiares. Negra, pobre, desamparada, Billie amargou infortúnios logo cedo. Foi violentada aos dez anos de idade por um vizinho. Internou-se em casa de correção, lavou chão de prostíbulo, e virou prostituta aos catorze anos, em Nova Iorque. Isso nos anos 20. Na década seguinte começou como cantora, quando foi descoberta por um pianista em um bar do Harlem. Sua voz conquistou nomes como Benny Goodman, Count Basie, Artie Shaw, Duke Ellington e Louis Armstrong. Fez concertos com todos eles.

Nos anos 40, Billie entrou numa de ruim pra pior. Passando por vários momentos de depressão, afundou-se no álcool e drogas pesadas. Um caminho sem volta. Morreu com apenas 44 anos de idade.

Muitas revelações corajosas estão na autobiografia "Lady sings the blues", publicada pouco antes de sua morte. Do livro foi feito o filme, no Brasil intitulado "O ocaso de uma estrela", dirigido por Sidney J. Furie, em 1972. Na época não gostei muito da adaptação, muito centralizada na figura de Diana Ross, que interpreta Billie. Não revi mais o filme. Continuei ouvindo a voz etérea e levemente rouca da diva que os fãs chamavam de Lady Day.

Em tempo: a trilha sonora de "Sophie Scholl" é recheada de canções jazzísticas, em que pese a ambientação opressiva da época nazista em que se passa o filme.

Um comentário:

Raizes e Asas disse...

Passando por aqui e vejo que o blog está cada dia melhor.
Tenho mergulhado mais nesse mundo do cinema e filmes..
abrçs