domingo, 4 de março de 2007

sementes do rock

Glenn Ford, ao centro, e Sidney Poitier, à direita, numa cena de "Sementes de violência", de Richards Brooks. Foto Acervo Nirton Venancio

"O cinema é um dos pais do rock'n'roll, porque este não é apenas música, é também atitude, topete, calça jeans, jaqueta de couro, rebeldia... E isto quem primeiro promoveu foram os personagens dos filmes O selvagem, produção de 1954, com Marlon Brando, e Juventude transviada, produção de 1955, com James Dean. Antes de Elvis Presley, os maiores ídolos da juventude eram exatamente os atores Marlon Brando e James Dean, ambos formados pelo Actor's Studios. Aliás, Elvis Presley foi lançado seguindo à risca o visual de James Dean, que morreu um ano antes de o outro se tornar astro. Mas, embora Juventude transviada e O selvagem trouxessem a rebeldia , faltava a esses filmes a sonoridade rock, porque sua trilha musical é jazzística, composta a primeira por Leonard Rosenman e a segunda pelo trompetista Shorrty Rogers.

A fusão do cinema com o rock veio num outro filme lançado em 1955: Sementes de violência, com Glenn Ford e Sidney Poitier, que mais uma vez trazia para as telas os conflitos de uma juventude em busca de seu espaço na sociedade. O diferencial desse filme estava na trilha sonora, que mostrava Rock around the clock com Bill Harley e seus Cometas. A música tocava apenas na abertura, durante a apresentação dos créditos, mas o suficiente para acender o rastilho da explosão musical do rock'n'roll.”


Trecho do segundo capítulo do livro “Roberto Carlos em detalhes”, editora Planeta, do jornalista e pesquisador Paulo César de Araújo, que estou lendo e gostando.
O autor faz um trabalho criterioso sobre o período musical que influenciou o cantor Roberto Carlos. A obra abrange muito mais do que isso, em termos de comportamento e de história da nossa música e seus personagens. Não tem nada de sensacionalista, de oportunista, muito menos de invasão de privacidade da vida do Rei, como foi alegado por ele ao ficar atordoado e mover um processo cível e criminal contra o autor, obrigando ainda a retirar o livro do mercado. Pisou na bola, meu caro Roberto, de quem sou fã. Sua estupidez não lhe deixa ver... que o livro é respeitoso, cheio de admiração, e definitivo sobre o maior cantor da história da música brasileira.

Paulo César de Araújo, um baiano conterrâneo de Glauber Rocha, de Vitória da Conquista, tem outro livro muito bom, “Eu não sou cachorro não”, de 2002, lançado pela Record, onde analisa a produção cultural brasileira no período da repressão, enfocando os cantores da chamada música brega.

5 comentários:

Fernando disse...

parabens pelo blog!
e agora na função...la vou eu:

da um confere e ve se lhe apetece postar esse som...é diferente
www.myspace.com/joaoninguem

dai tu entra em contato ioda82@hotmail.com

no mais abraço

Fernando Costa

Nirton Venancio disse...

Já conhecia o João Ninguém, Fernando! Valeu a passagem por aqui. Passarei por lá! Abraços!

Lua Obscura disse...

Pelo trecho, ou excerto, que li aqui, o livro parece ser bastante interessante e focar aspectos relevantes que ligam a música ao cinema. Só é pena a atitude de Roberto Carlos, que sempre se comporta como um senhor e aqui revela imaturidade. Enfim!

Um abraço cinéfilo e musical

Lua Obscura disse...

Obrigada pela visita!
Claro que pode pôr o link do meu blog, eu vou pôr o seu também.
Abraços

Paulo César de Araújo disse...

Caro Nirton,

Muito obrigado pela solidariedade e as palavras de incentivo. Estou mesmo precisando. A situação não á fácil porque Roberto Carlos partiu com tudo para cima de mim, movendo processo cível no Rio e criminal em São Paulo. E por conta disso meu livro entrou agora para o index das obras proibidas. Isto é até uma ironia da história porque, como você sabe, meu livro se enquadra naquele processo de reavaliação da música (ultra) popular do Brasil que iniciei com “Eu não sou cachorro não”. Eu cheguei para brigar pelo reconhecimento de artistas para os quais as elites culturais sempre viraram as costas. E eis que me deparo agora com a oposição do mais importante de todos. Mas enfim, vamos à luta. Felizmente, você e outros leitores fortalecem cada vez mais a corrente pró- “Roberto Carlos em Detalhes”.

Um grande abraço!

Paulo César