quarta-feira, 7 de março de 2007

cinema no quilo

Rodger Rogério em "Capistrano no quilo". Foto Iluminura Filmes


Há quatro anos atrás a estátua do historiador cearense Capistrano de Abreu foi roubada por marginais. O fato ocorreu durante o feriado da Semana Santa, na praça da Lagoinha, no centro de Fortaleza.


O que poderia ser mais um "crime corriqueiro", tornou-se um episódio pitoresco quando o jornal O Povo, um dos maiores da capital cearense, publicou matéria sobre a recuperação da estátua, que por pouco não foi vendida como sucata pelos ladrões por ser revestida em bronze. Como escreveu o jornalista Roberto Maciel na página virtual do Observatório da Imprensa daquele ano, "foram usados termos como ‘seqüestro’, para se referir ao roubo; ‘guardando o cativeiro’, para definir a função de um dos acusados; e ‘habitante ilustre’, em relação à condição da estátua na praça. Tudo errado. Não houve seqüestro, mas furto e vandalismo; ninguém guardava cativeiro, porque no local não estava preso ninguém; estátua não habita local nenhum."


Foi a anti-homenagem do povo que ele, Capistrano, colocou como personagem da História? E se foi vendida, quanto se comeu com a venda do bronze? O fato policial motiva a discussão sobre a identidade brasileira, segundo o cineasta, professor e historiador cearense Firmino Holanda, no seu curta-metragem "Capistrano no quilo", que foi selecionado para competição no festival de documentários É Tudo Verdade, que acontecerá de 22 de março a 1º de abril em São Paulo, e se estenderá nas semanas seguintes nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Campinas e Porto Alegre.


Capistrano de Abreu (1853 - 1927) foi um dos maiores historiadores brasileiros. Seu livro "O descobrimento do Brasil", é um dos melhores sobre o tema, há no trabalho uma rigorosa investigação das fontes e visão crítica dos fatos como poucos fizeram.


Firmino Holanda, outro estudioso que tem uma visão extremamente crítica e lúcida sobre tudo, principalmente cinema, fez um filme à altura da importância do seu personagem e do curioso significado que o episódio do roubo suscita.


Entre outros curtas, Firmino dirigiu com Petrus Cariry o documentário "Cidadão Jacaré", exibido no DocTV III, que narra o encontro de Orson Welles com o Jacaré, líder dos jangadeiros de Fortaleza, que foi de jangada até o Rio de Janeiro, em 1942, reivindicar direitos trabalhistas.
O cineasta cearense é um estudioso apaixonado pela obra de Welles. Em 2001 publicou o livro "
Orson Welles no Ceará", em que reconstitui a passagem do diretor por terras alencarinas quando filmava "It's all true".

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