sexta-feira, 28 de julho de 2006

Carta aos cineastas palestinos e libaneses

"Arna's children", documentário de Danniel Danniel e Juliano Mer Khamis, 2003. Foto Ikon Television

"Nós, cineastas israelenses, saudamos todos os cineastas árabes reunidos em Paris para participar da BIENAL DO CINEMA ÁRABE. Por intermédio de vocês, queremos enviar uma mensagem de amizade e solidariedade aos nossos colegas libaneses e palestinos que estão atualmente acossados e sendo bombardeados pelo exército de nosso país.

Nós somos categoricamente contra a brutalidade e a crueldade da política israelense, intensificadas ao máximo nas últimas semanas.

Nada pode justificar a continuidade da ocupação militar, do cerco e da repressão na Palestina. Nada pode justicar o bombardeio de populações civis e a destruição das infraestruturas no Líbano e na Faixa de Gaza.

Permitam-nos dizer a vocês que os seus filmes, aos quais fazemos tudo para assistir e circular entre nós, são muito importantes para os nossos olhos. Esses filmes nos ajudam a conhecer e a comprender vocês. Graças a esses filmes, os homens, as mulheres e as crianças - que sofrem em Gaza, em Beirute e em todos os lugares em que nosso exército exerce sua violência - , têm, para nós, nomes e rostos. Queremos agradecer-lhes por terem feito esses filmes. E também encorajá-los a continuar a filmar, apesar de todas as dificuldades.

No que diz respeito ao nosso trabalho, mantemos o compromisso de expressar - por meio de filmes, de ações pessoais e de voz elevada - , nossa oposição categórica à ocupação militar israelense. E de expressar também nosso desejo de liberdade, justiça e igualdade para os povos da região."

Carta lida na abertura da Bienal do Cinema Árabe, em Paris, no dia 22 de julho de 2006.

Assinam os cineastas:

Nurith Aviv / Ilil Alexander / Adi Arbel / Yael Bartana / Philippe Bellaiche / Simone Bitton / Michale Boganim / Amit Breuer / Shai Carmeli-Pollack / Sami S. Chetrit / Danae Elon / Anat Even / Jack Faber / Avner Fainguelernt / Ari Folman / Gali Gold / BZ Goldberg / Sharon Hamou / Amir Harel / Avraham Heffner / Rachel Leah Jones /Dalia Karpel / Avi Kleinberger / Elonor Kowarsky / Edna Kowarsky / Philippa Kowarsky / Ram Loevi / Avi Mograbi / Jud Neeman / David Ofek / Iris Rubin / Abraham Segal / Nurith Shareth / Julie Shlez / Eyal Sivan / Yael Shavit / Eran Torbiner / Osnat Trabelsi / Daniel Waxman / Keren Yedaya

quinta-feira, 27 de julho de 2006

o ritmo de um filme

Woody Allen num intervalo das filmagens de "Match point". Foto DreamWorks Pictures

"Um filme é roteiro, é história, é plano, é montagem, é ritmo que permite a infiltração da energia crítica desde o primeiro enquadramento até a cena final."


Enéas de Souza, crítico de cinema, na revista Teorema nº9, sobre o recente trabalho de Woody Allen, "Ponto final" (Match point), de 2005. O filme tem tudo isso a que o crítico se refere. E mais: tem nessa edição da revista gaúcha a melhor análise que já li sobre o filme do diretor novaiorquino.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Gerard Oury, cineasta

Foto Divulgação

O cineasta francês Gerard Oury não era muito conhecido no Brasil. Mas dois filmes seus fizeram sucesso por aqui nas décadas de 60 e 70: "A grande escapada" (La grande vadrouille), de 1966, e "As loucas aventuras de Rabi Jacob" (Rabi Jacob), de 1973. Oury faleceu no último dia 20, aos 87 anos.

"A grande escapada", escrito por sua filha Danielle Thomson e com seus dois atores preferidos, Louis de Funès e Bourvil, consagrou o diretor como autor de comédias, talento reconhecido somente em 2001 no Festival de Cannes, quando recebeu um prêmio especial.

O cineasta, que na realidade se chamava Max-Gérard Tannenbaum, trabalhou até os anos 90, lançando "La oif de L´or", 1993, "Fantasma com chofer" (Fantôme avec chauffeur), 1996, e "Le schpountz, em 1999.

domingo, 23 de julho de 2006

glauberianas quatro

foto Acervo TempoGlauber

"'Apocalipse now' é uma farsa superficial e pueril sobre um dos episódios mais sombrios envolvendo os Estados Unidos. O filme é um discurso alienado e alienante sobre a Guerra do Vietnã (e todas as guerras), que não ilude, apesar das múltiplas seduções, aqueles que conhecem as entranhas do tigre 'roliude'."


Opinião de Glauber Rocha (1939 - 1981), em seu livro "O século do cinema", terceiro volume da Coleção Glauberiana, relançada neste ano pela Editora Cosac Naify. Os primeiros foram os também indispensáveis "Revisão crítica do cinema brasileiro" e "Revolução do Cinema Novo".

"Apocalipse now", dirigido por Francis Ford Coppola em 1979, foi relançado em 2001 com cenas adicionais, intitulado "Apocalipse now redux". Com certeza Glauber faria comentários adicionais.

sábado, 22 de julho de 2006

Gianfrancesco Guarnieri, ator e dramaturgo

Guarnieri em foto recente, durante as gravações da novela "Belíssima". Foto Rede Globo

Morreu na tarde de hoje na capital o ator e dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, de 71 anos. Internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 2 de junho com insuficiência renal, ele estava sedado desde quinta-feira.

Em 1958, aos 24 anos, Guarnieri mudou os rumos da dramaturgia brasileira com a obra "Eles não Usam Black-Tie", que explorava as relações trabalhistas a partir de uma greve de operários. Foi adaptado para o cinema por Leon Hirszman (1937 - 1987), em 1981. Guarnieri interpreta o pai de família. Ainda como ator foram outras dezenas de criações inesquecíveis no teatro, cinema e televisão. Escreveu mais de 20 peças, sem contar episódios para casos especiais ou seriados.

Um papel marcante de Guarnieri foi em "O grande momento", primeiro filme de Roberto Santos (1928 - 1987), rodado em 1957. Nele o ator interpreta um noivo de família humilde, no meio de ansiedades, pequenas alegrias e correrias que precede o casamento. Inesquecível a cena em que Guarnieri pedala em disparada sua bicicleta pelas ruas do bairro pobre onde mora. É o mais neo-realista dos filmes brasileiros. Um clássico.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

pensar e olhar

Brussells, Bélgica, 1932. Foto de Henri Cartier-Bresson


"As pessoas não olham muito. As pessoas pensam muito. E isso não é a mesma coisa."

Henri Cartier-Bresson, 1908 - 2004

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Raul Cortez, ator

"Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho. Foto VideoFilmes

O ator Raul Cortez, de 73 anos, morreu nesta terça à noite no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, devido às complicações relacionadas a um câncer na região abdominal. O artista estava internado desde o último dia 30 de junho.

Cortez teve uma expressiva carreira no cinema, teatro e na televisão. Estreou no cinema em 1957, no filme "O pão que o diabo amassou", de Maria Basaglia, cineasta italiana casada com o produtor Marcelo Albani e que morou no Brasil nas décadas de 50 e 60.
Mas foi em "O Caso dos Irmãos Naves", de Luís Sérgio Person, em 1967, que Raul teve seu primeiro destaque no cinema, onde ele e Juca de Oliveira vivem os irmãos que confessam um crime que não cometeram, história baseada em fatos que aconteceram no interior de Minas Gerais, em pleno período do Estado Novo, em 1937.
Raul mais recentemente teve papel inesquecível em "Lavoura arcaica", de Luiz Fernando Carvalho, pelo qual foi indicado ao prêmio de melhor ator no Grande Prêmio BR de Cinema, em 2002. "O outro lado da rua", de Marcos Bernstein, rodado em 2003, foi seu último trabalho no cinema. Nesse filme, depois de atuarem juntos por diversas vezes no teatro, marca o primeiro encontro de Cortez e Fernanda Montenegro no cinema. Foi igualmente indicado na categoria no Grande Prêmio de 2004.

No teatro, interpretou ano passado o personagem "Rei Lear", de William Shakespeare. Ator de Antunes Filho e de tantos outros mestres, Cortez era conhecido pela sua versatilidade e vontade de encarar projetos de novos autores.

Seu último trabalho foi na minissérie "JK", da TV Globo, no começo deste ano.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Festival na Cinemateca

Andres Pazos e Mirella Pascual em "Whisky", dos uruguaios Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll.
Foto Rizoma Films.

Com a exibição de mais de 100 títulos e previsão de mais de 40 convidados internacionais, o 1º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo começa amanhã e segue até dia 16 deste mês, com o objetivo discutir a singularidade estética da cinematografia latino-americana. O evento promove, além das projeções, oficinas, encontros e debates que, entre outros temas, abordam o documentário na América Latina, a nova ficção latino-americana e a retomada do movimento cineclubista.
A programação do festival tem curadoria da produtora Assunção Hernandes, do crítico José Carlos Avellar e do documentarista Sérgio Muniz.

O 1º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é uma realização do Memorial da América Latina e da Secretaria de Estado da Cultura, com apoio do Ministério da Cultura, da Cinemateca Brasileira e do Sesc São Paulo. A organização é da associação do Audiovisual Paulista.

Outras informações e programação completa na página www.cinemateca.com.br

a essência do cinema

Orson Welles, o primeiro à direita, filmando "Cidadão Kane", 1941

"Só nós, o público, ouvimos a palavra Rosebud, no começo. Só nós, espectadores, sabemos o que ela significa, no desfecho. Talvez seja essa a maior de todas as ousadias de Welles em 'Cidadão Kane'. Talvez seja a maior de suas sacadas, tocando mesmo no que vem a ser a essência do cinema. O filme só se completa no espectador."

Luiz Carlos Merten, crítico, em seu livro “Cinema – Entre a realidade e o artifício”, Editora Artes e Ofícios, 2003.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Teorema 9


Será lançada hoje em Porto Alegre a 9ª edição da revista de cinema Teorema. A publicação, editada pelos críticos Fabiano de Souza, Flávio Guirland, Fernando Mascarello, Ivonete Pinto e Marcus Mello, traz entre os destaques uma entrevista com o cineasta paulista Beto Brant, que acabou de filmar seu novo longa, "Cão sem dono", em terras gaúchas.

Fora de Porto Alegre a revista pode ser encontrada nas seguintes bancas e livrarias:

São Paulo:
Lojas da rede 2001
Fnac Paulista
Fnac Pinheiros
Fnac Campinas
Espaço Unibanco da Augusta
Livrarias Cultura do Shopping Villa Lobos e Cultura Paulista

Rio de Janeiro:
CCBB Rio, na Livraria Travessa
Estação Botafogo

Brasília:
Livraria Cultura

Recife:
Livraria Cultura

Para quem mora noutras capitais, entrar em contato: revistateorema@yahoo.com.br.

Na capa deste número a atriz Giulia Gam, numa cena de "Árido movie", de Lírio Ferreira.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Juan Pablo Rebella, cineasta

foto Divulgação

Morreu em Montevidéu, aos 32 anos, o cineasta uruguaio Juan Pablo Rebella, co-diretor, ao lado de Pablo Stoll, do filme "Whisky" (Whisky), de 2004, que recebeu trinta prêmios em festivais internacionais.

O jovem diretor cometeu suicídio e a morte ocorreu às 4h da madrugada desta quarta-feira. Ainda se desconhecem os motivos, e hoje foram convocadas a prestar depoimento as pessoas que encontraram o corpo.

Rebella estudou na Universidad Católica e pouco depois começou a trabalhar com Pablo Stoll, também co-diretor de seu primeiro filme, "25 watts" (25 watts), rodado em 2001. Os longas da dupla são considerados pelos críticos como dois dos melhores filmes do cinema uruguaio.

Em duas semanas o cinema latino perdeu dois grandes cineastas. No final do mês passado foi o cineasta argentino Fabián Bielinsky, diretor de "9 rainhas" (nueve reinas).

mistério no cinema


O mais novo livro do jornalista e escritor paulista Rodrigo Capella, "Transroca: o navio proibido", será adaptado para o cinema pelo cineasta gaúcho Ricardo Zimmer. O projeto corre paralelo a outros dois longas, "Catarina" e "O exército de um homem só", este roteirizado a partir do romance de Moacyr Scliar, e co-direção de Fábio Barreto.

"Transroca: o navio proibido" foi lançado ano passado, pelo Editora Zouk, de São Paulo, e a trama se passa a bordo de um navio que faz um cruzeiro por um lugar fictício, Perúsia Grande, e tem como destino a cidade de Parja. A bordo estão Kall, o detetive, e sua mulher Amanda, em lua-de-mel. Durante a viagem, um assassinato deixa os passageiros estarrecidos e coloca o detetive em ação.

O cineasta Ricardo Zimmer justifica porque escolheu o livro para adaptar para o cinema: "o clima de mistério, de intrigas e de suspeitos multifacetados é contagiante até as últimas frases quando então surpreendentemente Kall, revela o criminoso", argumenta o diretor, destacando que "a resposta tão bem construída pelo autor, revela-nos o mundo de homens que matam por interesses, amor, futilidades, ciúmes e medos."

domingo, 2 de julho de 2006

Japão pop

"Otakus in Love", de Matsuo Suzuki. Foto Divulgação

No Brasil, o cinema japonês costuma estar associado à obra de diretores como Mizoguchi, Kurosawa, Ozu e Nagisa Oshima, grandes mestres que inscreveram seus nomes na história do cinema mundial. Mas desde a virada do século, novos realizadores vêm dando uma nova face à cinematografia japonesa, incorporando o cotidiano de uma sociedade que sempre foi e continua sendo um enigma para o Ocidente. E é essa produção, raríssima de se ver em telas brasileiras, que o público poderá conferir na mostra "Japão Pop – O Novo Cinema Japonês", uma realização do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília e em São Paulo. Durante três semanas em São Paulo, de 28 de Junho a 16 de julho de 2006, e duas em Brasília, de 04 a 16 de julho, serão exibidos 11 títulos, inéditos comercialmente no Brasil, todos realizados a partir do ano 2000, por jovens e promissores nomes do cinema japonês.

A mostra surge como uma oportunidade única, já que, apesar de ter uma grande produção cinematográfica de qualidade, o cinema japonês contemporâneo não encontra canais de distribuição regular no Brasil. Os poucos filmes lançados comercialmente por aqui a cada ano são, em sua maioria, produções de diretores já conhecidos pelos brasileiros, restando pouco espaço para os mais novos expoentes dentro de uma filmografia tão rica e peculiar como a japonesa. Foi essa dificuldade que motivou os curadores da mostra, o designer gráfico Rodrigo Sommer e o cineasta Adriano Vannucchi. "Japão Pop" abre com a exibição do filme "Ping Pong", do diretor Fumihiro Masuri, uma produção de 2002, inspirada em uma das mais fortes expressões da cultura japonesa contemporânea, os mangás.

Todos os filmes da mostra são exemplos recentes e inéditos da produção cinematográfica japonesa, selecionados com a preocupação de representar a qualidade e a diversidade do cinema produzido no Japão. Ao longo da programação, o espectador terá um painel quase documental das transformações vividas por uma sociedade complexa, que tem atravessado períodos de grande impacto, como o boom econômico das décadas de 70 e 80 que gerou uma imensa onda de consumismo, a abertura às influências ocidentais, a crise econômica que revelou as fragilidades da economia japonesa, dentre outros acontecimentos marcantes. Os filmes refletem como as novas gerações absorveram o impacto destas transformações e processaram todas as contradições existentes no país hoje. Estão registradas a busca da individualidade, o enfrentamento das dificuldades e possibilidades, a luta pelas liberdades recém-conquistadas.

A programação está na página www.bb.com.br/cultura