terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O cinema de Béla Tarr


Em Turim, Itália, no ano de 1889, nada menos do que Friedrich Nietzsche protege um cavalo que é brutalmente espancado pelo seu dono, numa praça. O filósofo abraça-se ao pescoço do animal, em prantos.
De volta à sua casa, Nietzsche então permanece imóvel e em silêncio durante dois dias estendido em um sofá, até que pronuncia as definitivas palavras finais: “Mãe, eu sou um idiota”. E vive por mais dez anos, mudo e demente, sendo cuidado por sua mãe e suas irmãs.
Esse é ponto de partida do filme O cavalo de Turim (A torinói ló), 2011.
O que aconteceu com o animal socorrido é o tema desenvolvido pelo imenso cineasta húngaro Béla Tarr nesse belíssimo exemplar da cinematografia mundial.
O cineasta partiu hoje, aos 70 anos.
Acima, 5 minutos e 55 segundos de um dos mais fascinantes planos-sequências. O fôlego do cinema. A perfeição.




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