Em julho de 2018 o Museu de Arte Contemporâneo, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, abriu a exposição "Zé: Acervo de Experiências Vitais", em homenagem ao cearense Zé Tarcísio.
“Tudo que vivi se incorporou, automaticamente, ao meu acervo de experiências vitais, estando de uma ou outra forma, expresso em meus trabalhos”, afirmou o sempre alegre Zé, brilhante com seus olhos de amável bruxo.
Com obras de seu acervo, coleções particulares e de órgãos institucionais como do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, a exposição reuniu mais de 100 trabalhos entre pinturas, esculturas, instalações, fotos e vídeos, ocupando três ambientes do Museu.
Os trabalhos foram agrupados pelos espaços numa concepção que se integra aos signos de criação do autor. As peças produzidas nas décadas de 60 e 70, por exemplo, refletem questões ambientais, do corpo, comportamento, e se estendem às questões políticas, quando Zé Tarcísio esteve ligado a movimentos de resistência e teve seus trabalhos apreendidos pelos censores da ditadura.
Foi uma honra imensa para mim ser convidado para escrever o roteiro do vídeo Zé Tarcísio, apresentado na noite de abertura da exposição, e que ficou em exibição no período em que esteve aberta.
Juntamente com uma equipe afinada nos meus projetos de cinema, Rui Ferreira (direção e edição), Alex Meira (direção de fotografia), Lenio Oliveira (som), e as assistências fundamentais dos fotógrafos Valdo SIlva e Nildo Silva, o vídeo narra o percurso de construção do projeto e da composição curatorial, permitindo a todos uma participação afetiva na elaboração da exposição.
Experiências vitais para todos nós, proporcionadas pela essência da arte de Zé Tarcísio, que partiu hoje, aos 84 anos, num alvorecer de fim semana de um ano que começa junto com a saudade por toda a vida
Para você, meu querido Zé, parafraseio versos de Vinicius de Moraes:
Amo-te tanto, meu amigo...
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
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