quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

de volta ao futuro

O escritor inglês George Orwell, nascido na Índia, faleceu com apenas 46 anos, de tuberculose, em 21 de janeiro de 1950. Foi poupado de assistir pelo telão a vulgarização que fizeram com o personagem mais significativo da sua literatura, Big Brother, o Grande Irmão, ser fictício do clássico e distópico romance “1984”, que retrata o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo. 

Publicado em 1949, a certa altura, lê-se que “Big Brother is watching yo”, algo como "o Grande Irmão está te observando", o que conota a vigilância invasiva frequente de uma sociedade oligárquica coletivista. O livro é assustador. Lembro-me que, adolescente, li numa tacada só, e por vezes fechava, respirava um pouco na janela, e voltava às páginas. 

Orwell mais do que um futurista, foi um vaticinador. O mundo em que vivemos é exatamente o que está no romance, ou pior, por ser dissimulado, a antítese da utopia, onde a tecnologia é usada como ferramenta de controle, usada pelo Estado, instituições e corporações. 

Um programa de televisão de extrema imbecilidade como BBB, é a metalinguagem caricatural desse poder midiático, que transforma espectadores em néscios operantes para o nada, dopados e incapazes da reflexão e discernimento para tudo. Orwell não imaginaria que sua teoria de um futuro avassalador chegasse a tanto.

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