quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

a trilha de um gênio


Uma das melhores experiências que tive com cinema foi com o músico Eugenio Matos.  Ou como ele muito bem definiu, atípica.

Em 1997, quando eu rodava meu terceiro filme, o curta "O último dia de sol", o convidei para compor a trilha sonora. As filmagens, no maciço de Baturité, Ceará. Eugênio, no cerrado de Brasília, onde moramos. Mandei-lhe o roteiro, conversamos por telefone sobre o filme, como eu imaginava a trilha, etc etc etc. Claro, na fase de montagem, ele veria as imagens, conversaríamos mais, apresentaria propostas, trocaríamos ideias, etc etc etc. Pelo menos, esse é o processo. 

E eis que antes mesmo de começar a filmar, Eugenio me manda um cd com uma composição que fez, inspirada no roteiro que leu e no nosso bate papo telefônico. Surpreso com a rapidez, ouvi de imediato a música e as variações sobre o tema.

Era exatamente o que eu queria! Mas eu imaginei que isso se daria lá na frente, na mesa de edição, passando o copião pro Eugênio ver. Esse fato me animou tanto que várias ia ao set com o fone de ouvido antes de dirigir as cenas.

Hoje, esse grande compositor lança seu livro "A Arte de Compor Música Para o Cinema", na Livraria Cultura, em Fortaleza. A obra é resultado de sua experiência na criação de trilhas para vários filmes e no trabalho de pós-graduação na UCLA Extension e mestrado em Composição Para Filmes pela UniCamp.

Eugênio, que é professor na Escola de Música de Brasília, foi integrante da Banda Officina, referência da música instrumental no Ceará na década de 80, tendo no grupo os hoje consagrados Cristiano Pinho, Roberto Stepheson,Pantico Rocha, Nélio Costa e Ocelo Mendonça.

Essa turma de talentosos serão entrevistados para o documentário que realizo,Pessoal do Ceará - Lado A Lado B. 

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