sexta-feira, 14 de novembro de 2014

o olhar do cinema

A atriz americana Jayne Mansfield ficou conhecida por suas artimanhas de publicidade, muito mais do que por seu "talento" nas telas. Fazia de tudo para atrair a atenção de todos. Um dos principais incidentes envolveram Sophia Loren.

Seus seios eram o foco de um golpe de publicidade notória. Em 1957, durante um jantar em homenagem à estrela italiana, no restaurante Romanoff, em Beverly Hills, Mansfield entrou no local chegando mesmo, fazendo-se notar a cada passo e rebolado, e "naturalmente" foi direto à mesa onde estava a convidada. Chegou, cumprimentou, e sentou-se, separando Loren de seu companheiro de jantar, o ator Clifton Webb. A intenção foi desviar a atenção da mídia sobre a atriz, já consagrada em clássicos como "Quo Vadis?", "Noites de Cleópatra", "O signo de Vênus", além de ser casada com o grande produtor de cinema Carlo Ponti.

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A sequência de fotos mais conhecida mostrou o olhar de Loren caindo sobre a decote de Jayne Mansfield, que se inclinou sobre a mesa, permitindo que seus seios ficassem à mostra, expondo um mamilo. 


Sempre analisei essa imagem como um dos conceitos mais forte que definem uma narrativa cinematográfica. Ali não era um filme, claro. Mas na tela quando a expressão de um personagem desenha uma reação muito forte diante do que não vemos, mas conseguimos "ver" através desse olhar, o cinema atinge sua mais completa tradução. Cinema é sugestão. Cinema é também o que está fora do quadro. É o outro lado da lua.
A arte não imita, reflete a vida. Os volumosos e belos seios de Mansfield chamaram a atenção do mundo e dos presentes no Romanoff naquela noite. Mas foi o olhar de Sophia Loren que se cristalizou para sempre com o incidente. Sophia, atriz. Mansfield, estrela. Longa é a arte, breves os seios de Mansfield.

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