sábado, 13 de fevereiro de 2010

um gladiador no cerrado

 
foto de Henry Ballot 
O cidadão aí na foto (de terno e chapéu de couro!), entre serpentinas e confetes, é Issur Danielovitch Demsky, mais conhecido como Kirk Douglas. O cenário: salão do então majestoso Hotel Nacional de Brasília. A data: 23 de fevereiro de 1963, um sábado de carnaval.

Naquele ano, acompanhado da sua segunda mulher, Anne Boydens, o ator estava na cidade do Rio de Janeiro, convidado para o carnaval carioca. Mas deu uma esticadinha até a nova capital brasileira. Brasília ainda era um enorme canteiro de obras, muitos esqueletos de edifícios, uma vastidão sem fim. Mas ninguém é de ferro, e os candangos se animavam como podiam naqueles quatro dias de samba, suor e poeira vermelha. O pessoal que pegava no pesado e os moradores das asas Sul e Norte, iam para a frente da Estação Rodoviária, onde aconteciam os desfiles das escolas de samba. Que nomes teriam? Unidos dos Cerrados? Descobri que a principal delas se chamava Alvorada em Ritmos.

Mas o ator de "Spartacus" não chegou a assistir a nenhum desses desfiles. No dia seguinte ao baile no hotel, deu um passeio pela cidade, andou de lancha e pescou no artificial Lago Paranoá e se mandou de volta ao Rio, claro.
Naquele começo dos anos 60 Kirk Douglas tinha feito cinco filmes de sucesso, além do citado filme dirigido por Stanley Kubrick, sobre o destemido gladiador que levou Roma à revolta dos escravos.

O ótimo western "O último pôr-do-sol" (The last sunset), 1961, de Robert Aldrich, era um desses filmes que deveria estar na memória daqueles foliões no Hotel Nacional.

"Cidade sem compaixão" (Town without pity), de Gottfried Reinhardt, "Sua última façanha" (Lonely are the brave), de David Miller, "Sede de vingança" (The Hook), de George Seaton e "A cidade dos desiludidos" (Two weeks in another town), de Vincent Minnelli, foram filmes talvez não exibidos em algum raro cinema da nova cidade, mas que levaram multidões aos cines da antiga capital, Rio.

Nenhum comentário: