sábado, 30 de agosto de 2008

todos os filmes

foto Arquivo NV

"Todos os filmes são iguais, mas terminam de forma diferente."
François Truffaut.


Na foto acima, Truffaut dirige Jacqueline Bisset em "A noite americana", 1974.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

uma nova bossa

foto Divulgação


Os caras do BossaCucaNova fazem uma mistura criativa da música eletrônica com clássicos da Bossa Nova e outros gêneros da boa música brasileira. Estão lá harmoniosamente remixados Tom Jobim, Caymmi, Caetano, Marcos Valle, Chico Buarque, e muito mais. Uma batida diferente, como diz o título do primeiro dos três discos do grupo. Os cucanovas são Marcelino Da Lua, Alex Moreira e Márcio Menescal, filho de Roberto Menescal, todos criados ali pelo Posto 6, na zona sul carioca. Estava na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

como dois e dois são cinco


foto Fábio Motta/AE

Eu queria ter ido a esse show: Caetano Veloso e Roberto Carlos juntos, homenageando Tom Jobim e os 50 anos da Bossa Nova, em encontro histórico no Teatro Municipal no Rio de Janeiro, sexta-feira passada, 23.

Mas ando muitíssimo decepcionado com o Rei, que despencou ladeira abaixo no meu conceito e admiração depois da burrada que fez, proibindo o livro de Paulo César de Araújo, "Roberto Carlos em detalhes", a mais completa - se não for a definitiva - biografia sobre o maior ídolo da música brasileira.

Impressionante como a mídia esqueceu completamente o assunto. Não se fala mais nisso. No ano passado muito se falou sobre esse livro que se transformou em um dos mais polêmicos da história do Brasil. Alguns artistas e colunistas comentaram a obra, como o próprio Caetano, o então ministro Gilberto Gil, a Xuxa-da-literatura e agora biografado Paulo Coelho, Zuenir Ventura, Carlos Heitor Cony, Elio Gaspari e Nelson Motta, todos defendendo o livro, indignados com a proibição imposta pelo biografado, o que dá a dimensão do absurdo do caso. Até mesmo o jurista Saulo Ramos, que foi advogado do Rei, definiu o trabalho de Paulo César, como uma "biografia perfeita".

O livro é uma obra-prima. Sou um leitor compulsivo de biografias. E de todas que li essa foi a mais completa, comovente e de incontestável qualidade literária. Apesar de ser uma biografia não autorizada, não há uma linha sequer que vulgarize fatos, calunie ou atinja a honra do personagem. Foram 15 anos de pesquisa, trabalho e paixão. Divididos em essenciais capítulos, o livro faz entender toda a complexidade do homem simples que se tornou o maior ídolo do país. E exatamente pelo valor da abordagem, "Roberto Carlos em detalhes" é um livro que passa pela história da música brasileira: o rádio, a bossa-nova, o rock, a televisão, e todos os nomes importantes que se entrelaçam nesses gêneros e ciclos.

Mas o Rei emburrou, literalmente. Embruteceu, empacou, amuou-se. Decaiu, retrocedeu, recrudesceu. Equivocado e mal assessorado, moveu ação judicial contra o escritor. Ganhou a causa, e em abril de 2007 a justiça mandou tirar o livro de circulação. Foi estampada nos jornais uma foto de um caminhão recolhendo as caixas com os exemplares que estavam no estoque na Editora Planeta. A cena é repulsiva. O caminhão seguiu para um depósito na cidade de Santo André, São Paulo. Dizem que o Rei mandou queimar os 11 mil exemplares. Porque ele é uma brasa, mora! Ou numa solução mais "leve", reciclados em toneladas de papel. Uma coisa ou outra, procuro agora um adjetivo maior que "repulsivo", que escrevi acima. É uma contradição para quem ao longo da carreira cantou o amor, a paz e a tolerância. Apesar de toda a repercussão negativa do episódio, o livro foi um best-seller no curto período nas livrarias, e virou raridade.

Graças à internet, está disponível em download em alguns blogues indignados. Isso o Rei não conseguiu impedir com sua atitude inquisitória.

Paulo César de Araújo disse que apesar do ocorrido não nutre ressentimentos pelo cantor, e crê que a questão passa pela legislação brasileira. Tudo bem, é muito nobre de sua parte, caro Paulo César, mas desde a sentença que não consigo escutar Roberto Carlos como antes. Fico com o livro. Mas queria ter ido ao show. Caetano bem que poderia ter aproveitado a proximidade nos ensaios e conversado sobre a importância do livro, já que ele se manifestou em elogios à epoca. Mas nem o amigo-de-fé-irmão-camarada Erasmo Carlos ousa tocar no assunto.

Fiz uma busca na internet atrás de uma foto para esta postagem, e me decidi por essa aí do ensaio. No show, aquele terno azul do Roberto é horroroso. Já basta ter que agüentar esse corte de cabelo dele em qualquer foto. Não dá.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

a cor do dinheiro

foto TV Zero

As cantoras Maroca, Poroca e Indaiá, conhecidas como Ceguinhas de Campina Grande, não estão colhendo os frutos do sucesso de crítica do documentário "A pessoa é para o que nasce", que trata da vida e da obra das três irmãs. Elas se queixam de abandono, afirmando que o diretor do filme, Roberto Berliner, deixou de fazer os repasses financeiros para o trio.

Segundo uma das irmãs, em reportagem no jornal paraibano Diário da Borborena, após as filmagens, Berliner enviava mensalmente a quantia de R$ 1 mil. Depois de um ano teria caído para R$ 120,00. E hoje, não recebem mais nada. Do outro lado, o cineasta justifica a interrupção da ajuda por conta do fracasso do filme nas bilheterias, apesar da boa repercussão e prêmios em vários festivais.

O documentário, de 2004, surgiu após o diretor Roberto Berliner conhecer as três irmãs durante as filmagens de uma série de televisão em Campina Grande, o "Som das ruas", lembram-se? Veiculado pela TV Cultura, a série buscava músicos anônimos pelo interior do Brasil.
O longa "A pessoa é para o que nasce", de 84 minutos, exibe a rotina das mulheres e revela as curiosas estratégias de sobrevivência, das quais participam parentes e vizinhos. Mergulha na história delas, flagrando uma trama complexa de amor e morte, miséria e arte. E pelo que se vê - e elas também, sem trocadilhos - tudo continua como antes, como se cumprisse fielmente um destino que diz o título do filme.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

tempus

"E la nave va", 1983

"Existem três formas de tempo: o passado, o presente e o reino da fantasia."

Federico Fellini

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

o silêncio do cinismo

foto Getty Imagens

Na Folha de São Paulo de terça-feira passada, dia 12, o jornalista Janio de Freitas acusa, com acurada sensibilidade, o cinismo com que o mundo assiste à hipocrisia das críticas de Bush à ferocidade bélica entre Rússia, Geórgia e Ossétia do Sul. Como se ele, o little Bush, não fosse o invasor e destruidor do Iraque, ainda ocupante do Afeganistão e ameaçador do Irã.

Para o jornalista, “a pusilanimidade dos governantes pelo mundo afora está respaldada e é disseminada pelas insuficiências e pelos comprometimentos do jornalismo, cujos recursos inovadores... pouco ou nada se acompanham de nova essência”.

Janio esclarece que primeiro a Geórgia, armada e treinada com “ajuda” dos EUA, atacou e ocupou o enclave autônomo da Ossétia do Sul, onde três quartos da população é russa. Ele questiona os meios de comunicação internacionais que não suspeitaram nem perceberam a ação dos EUA, nem pressentiram a sua conseqüência.

Tendo Washington como exemplo de desrespeito aos contratos multilaterais, a Rússia optou por desprezar negociações e diplomacia estratégica. E repôs em prática a ferocidade herdada do czarismo. Por que a surpresa, agora, para o grande jornalismo?

O colunista da Folha lembra que as previsíveis vítimas civis, mulheres, crianças e idosos (foto) são objetos do sacrifício injustificável e impiedoso. Eles mereceriam ao menos que o jornalismo se pusesse acima da pusilanimidade dos governantes. E não reproduzir e disseminar cinismo com o silêncio de tudo o que sabe.

fonte Boletim HS Liberal

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

cartas do passado

foto Divulgação

O belíssimo documentário "Cartas a uma ditadura", da diretora e atriz lusitana Inês de Medeiros (foto), foi um dos destaques na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ano passado, e até agora não se tem notícias de lançamento no circuito comercial.

O filme traz à luz um pedaço sombrio da história de Portugal. Ao destampar o baú onde estavam guardadas cartas de apoio à ditadura, escritas em 1958, a cineasta revela o misterioso Movimento das Mulheres Portuguesas e desvenda parte do pensamento que sustentou Salazar no poder por 40 anos.

Em entrevista à época da exibição do filme na Mostra, Inês definiu o longo governo salazarista como a "ditadura da ignorância e da miséria". Como são todas as ditaduras. Mas no caso a definição da cineasta se explica mais pela paranóia do ditador de ter raiva de tudo que significasse progresso. O tirano Antonio de Oliveira Salazar (1889-1970) dizia: “acusam-me de não ensinar os portugueses a ler. Mas querem que eles leiam o que?” Não por acaso as pessoas estudavam até a quarta classe. Receber apoio através de cartas era mesmo uma contradição.

O filme, de 60 minutos, uma co-produção Portugal, França e Bégica, ganhou o Troféu Bandeira Paulista de melhor média-metragem. No DocLisboa de 2007 recebeu o conceituado Prêmio Atalanta para Melhor Documentário Português.