segunda-feira, 28 de julho de 2008

Youssef Chahine


O mais conhecido cineasta egípcio, Youssef Chahine, marcou sua vida e seu cinema lutando pela igualdade entre cristãos e muçulmanos, combatendo com a paz de sua arte o avanço do radicalismo islâmico nos países árabes. Esse é o tipo de luta da qual os homens obstinados pelo bem da humanidade nunca desistem. Sucubem a outros combates na vida: depois de várias semanas em coma, abatido num leito de hospital por uma hemorragia cerebral, o cineasta faleceu ontem aos 82 anos.

O filme "Terra" (Al-Ard), de 1969, é de uma narrativa poética impressionante. Poética e política. Numa filmografia de mais de 40 longas é clara a sua sincera oposição ao islamismo, defendendo a liberdade de expressão, os direitos individuais e coletivos. Não somente no Brasil pouco se conhece de seus filmes. No próprio Egito Youssef não era tão conhecido quanto na França, país que o idolatrava e deu em 1997 a Palma de Ouro do Festival de Cannes pelo conjunto da obra.

No filme "11 de setembro", visão de onze diretores sobre o significado dos ataques às torres gêmeas do World Trade Center, o episódio dirigido por Youssef Chahine é o mais impactante, o mais polêmico. Na história, um cineasta, que não por acaso se chama também Chahine, conversa com o fantasma de um soldado americano, conduzindo-o, como em tour pelo purgatório, a vários locais onde aconteceram ataques militares dos Estados Unidos e outros tantos dos palestinos suicidas. Fica claro na proposta do cineasta que os cidadãos são responsáveis pelos governos que elegem, direcionando essa afirmação para os Estados Unidos e Israel.

Bem antes de "Lawrence da Arábia" (Lawrence of Arabia) e "Doutor Jivago" (Doctor Zhivago), ambos de David Lean, Chahine foi quem descobriu o talento do seu compratiota Omar Sharif. Entre os principais filmes em que trabalharam juntos estão "Águas negras" (Wadaatu hobak) e "Estação central" ( Bab al-hadid), feitos na década de 50.

Nenhum comentário: