terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

o avesso do Oscar

a bela Sharon Stone em "Instinto selvagem 2". Foto Intermedia Films

Sábado passado, na véspera da entrega do Oscar, as atenções dos cinéfilos voltaram-se para o Framboesa de Ouro (Prêmio Razzie), que elege com irreverência e escracho os piores do ano anterior em Hollywood.

Na edição 2007, o filme "Instinto selvagem 2" (Basic instinct 2), de Michael Caton-Jones, teve a "honra" de se transformar na produção de maior destaque na 27ª edição do premiação. Estrelada por Sharon Stone, a continuação que se revelou um fiasco de bilheteria levou sete Framboesas, empatando com a comédia "O Pequenino" (Little man), de um tal Kennen Ivory Wayans, nas categorias pior filme, diretor, atriz e roteiro. Até os seios “assimétricos” de Sharon Stone foram lembrados na hora da votação. O que é isso! A belíssima Sharon Stone vale o filme!

Criado em 1980 por um crítico de cinema que não agüentava mais assistir a tanta bomba lançada pelos grandes estúdios, hoje, o Framboesa de Ouro é o avesso do Oscar, embora alguns filmes cheguem a figurar nas duas premiações. É o caso de "Poseidon" (Poseidon), de Wolfgang Petersen, que concorreu ao Oscar de melhores efeitos especiais e levou uma Framboesa como o pior remake ou imitação barata de "O destino do Poseidon" (The Poseidon adventure), rodado em 1972, sob a direção de Ronald Neame e um clássico no gênero.

Entre os principais ganhadores (ou perdedores?) está o chatíssimo "suspense" "A dama na água" (Lady in the water), que conquistou as categorias de pior ator coadjuvante e diretor, ambos para o consagrado M. Night Shyamalan, autor de um outro filme que é bem melhor, "A vila" (The village).

No geral, o Framboesa é um prêmio temido pelos produtores e atores, mas muito aguardado pelo público em geral, que se diverte com suas indicações e brincadeiras.
Os prêmios são outorgados pelos 757 membros da Fundação Framboesa de Ouro e registrados nos Estados Unidos e em outros 12 países. A estatueta está avaliada em cerca de US$ 5 (cinco dólares!) e os vencedores, claro, não costumam assistir à cerimônia de entrega.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

cinema (im)perfeito

foto Dan Heller

"Acho que filmes imperfeitos permanecem vivos por mais tempo. O filme sem erros seria feito por uma máquina. Minha obra é pessoal porque tem as minhas imperfeições, como realizador e pessoa."



Palavras perfeitas do cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, que concorreu ontem ao Oscar com seu excelente "Babel", nas categorias de filme, diretor, atriz coadjuvante (Adriana Barraza), edição (Douglas Crise e Stephen Mirrione), roteiro (Guillermo Arriaga e Iñárritu), e, a única premiação recebida, trilha sonora original, do ótimo compositor argentino Gustavo Santaolalla.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, nessa 79ª entrega do Oscar, e imperfeita como sempre, subestimou o trabalho corretíssimo de Adriana Barraza, preferindo a tolice da estridente "cantora" e "atriz" Jennifer Hudson no bestinha "Dreamgirls - em busca de um sonho".
E o roteiro do filme mexicano, embora não seja inovador, é superior ao premiado, o simpático mas nada destacável "Pequena Miss Sunshine", que felizmente ganhou ator-coadjuvante, o veterano Alan Arkin, o melhor concorrente na categoria.
"Babel" merecia ainda os prêmios de filme, diretor e edição, que foram para Martin Scorsese com seu competente, mas óbvio, "Os infiltrados", fazendo jus às imperfeições da premiação.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

um filme sobre a inventividade


"Nirton Venancio está fazendo um documentário sobre o processo produtivo de brinquedos, telas e esculturas de Antonio Jader Pereira dos Santos, o Dim. Já rodou parte das filmagens em Camocim, onde nasceu o artista plástico, e está preste a finalizá-lo em Pindoretama, onde vive o protagonista do seu novo filme. O encontro de Nirton e Dim é uma felicidade para a arte, por coesionar a linguagem cinematográfica poética de um com a expressão de ludicidade implacável do outro. O roteiro evita o documentário clássico e faz muito bem, pois Dim é um artista por si ficcional, e Nirton, um ficcionista convicto."



Trecho da coluna do jornalista Flávio Paiva no jornal Diário do Nordeste de hoje.
Texto completo no link

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

águas de Camocim

fotos Rubens Venancio

Camocim, cidade litorânea a 400 quilômetros da capital cearense, tem pouco mais de 70 mil habitantes. O rio Coreaú vem descendo a serra, atravessa um lado da cidade e vai de encontro ao mar.
As águas de Camocim parecem estar em toda a cidade. Com seu barulho e seu silêncio. Mar e rio, rio e mar.
O local foi e continua sendo um importante centro de pesca para a região. Os bravos pescadores que saem à noite em suas coloridas canoas à vela, passam até 20 dias em alto mar, e retornam com uns 200 quilos de peixe.
Filmar em Camocim é um privilégio.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

recriando as flores


fotos Rubens Venancio

Cena 12
Casa do Dim - Externa / Dia


Dim mostra sua casa, o quarto dos pais, os demais compartimentos onde e como todos dormiam. E viviam. No corredor, mostra como colocava as coroas de flores que a mãe fazia e os filhos ajudavam na tarefa.

“Minha mãe, que se chamava Dodô, fazia coroas de flores pruns defuntos... isso mesmo, coroas de flores. A gente, a meninada toda, ajudava a confeccionar. Aprendemos com ela. A produção aumentava em novembro, no dia de Finados. Na falta de rosas frescas, fitas de cetim vermelho e papel crepom eram a matéria-prima com que a gente recriava a natureza, não tinha outro jeito. E olha só, aqui nesta parede do corredor, as coroas iam se acumulando, e quando não cabia, a gente espalhava pelo resto da casa. Imagina a casa toda cheia de coroa pra defunto!”


Trecho do roteiro do documentário-ficção "Dim". Na foto acima o artista plástico e o diretor Nirton Venancio; no meio, a cena recriada com o ator Giullys de Araújo; por último, as flores de matéria plástica, pano e memória...