segunda-feira, 8 de agosto de 2011

menos, Mrs. Kent...

"Se você me perguntasse hoje quem é o meu cantor favorito, eu diria João Gilberto. Esse homem, para mim, mudou o mundo. Fico em transe escutando-o."

A declaração é da ótima cantora de jazz norte-americana Stacey Kent, em entrevista ao jornal Correio Braziliense.

Ela se revela apaixonada pela música brasileira e pela língua portuguesa. Mas essa afirmação sobre o pai da Bossa Nova é exagerada. Menos, Mrs. Kent, menos.

Agradecemos a preferência, mas sua louvação a Mr. Gilberto superou a do Nelson Motta, que uma vez bradou, "João Gilberto é nosso pastor, nada nos faltará! O Salmo 23 em versão Bossa Nova". O mano Caetano, outro admirador hiperbólico do conterrâneo, pelo menos foi mais disfarçadamente comedido no verso "melhor do que o silêncio só João", na música "Pra ninguém".

Sou fã de João Gilberto e considero "Chega de saudade", de 1959, um dos discos mais importantes da música brasileira. E claro que aquele violão sincopado num toque mais simplificado do samba e a voz em vibrato e uniforme do nem um pouco desafinado João, despertaram a atenção da música mundo afora. Mas... "mudar o mundo"... não, não. Manero nas fitinhas do Senhor do Bonfim.

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