domingo, 28 de agosto de 2011

dizem que sou louco...

Ao final da apresentação do monólogo "Diário de um louco", o ator Adeilton Lima, dedica sua estreia, ontem, na programação do Festival Cena Contemporânea Brasília, a Antonin Artaud, Glauber Rocha, Rubens Correia e ao público presente na sala do Teatro Goldoni.

Nesse gesto, as reverências de Adeilton vão além do que se possa imaginar: a saudação é ao Teatro e ao Ator, personificados na peça, encarnados nele mesmo. Adeilton é mais que discípulo de Artaud, Glauber, Correia: Adeilton é devoto dos três. E a plateia simboliza como espelho o Teatro, ali referenciado em cada um de nós que recebeu na apresentação as benções dessa arte milenar.

"Diário de um louco", clássico adaptado do conto de Nicolai Gogol, ganha na interpretação de Adeilton a grandeza que traz a mensagem sobre a esquizofrenia de um funcionário público e sua vidinha usual, texto imaginado na fase áurea do realismo da literatura russa, lá por volta do século 19, e atualíssimo nestes espantosos anos 2000. A metáfora das perturbações do personagem constrói-se na montagem dirigida por Cesário Augusto com um fôlego impressionante, uma pulsação irresistível no tablado aberto ali na cara da plateia. Vê-se o quarto em que Ivanovith se confina em sua insignificância, vê-se o rei da Espanha em que nos faz acreditar, vê-se o manicômio em que ele mergulha seu delirio e mortificação.

A presença do ator Adeilton Lima é sólida e ondulante ao mesmo tempo. Nada falta no centro do palco, nada sobra pelas laterais. Aliás, nem palco, nem tablado: diante da interpretação magnífica, o espaço torna-se um terreiro venturoso invocado pelos deuses do Teatro.

2 comentários:

Luiz Carlos Lacerda disse...

Grande ator do Brasil!!!!!!!

Cristina disse...

Adeilton, está maravilhoso na pele de um funcionário público do sec 19. Seu texto já diz tudo.