quinta-feira, 11 de março de 2010

sinhá moça em Pirenópolis

 
A atriz Eliane Lage, que encantou o cinema brasileiro com seu talento e beleza nos anos 50, vive há trinta anos na bucólica Pirenópolis, cidade histórica do interior goiano, a 100 quilômetros de Brasília.

Ela será homenageada no próximo sábado, 13, durante a 2ª Festa Literária de Pirenópolis, a FLIPIRI, evento criado nos moldes da FLIP, em Parati (RJ), claro, bem mais modesto, mas extremamente aconchegante, simpático, tanto pelo espaço aprazível da cidade quanto pelos convidados. Nessa segunda edição, entre mais de vinte autores de várias regiões do país, estarão presentes o médico e escritor gaúcho Moacyr Scliar e o jornalista e escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão, que presidirá a homenagem à atriz.

Ao contrário do que se possa imaginar, Eliane Lage não vive "exilada" na pequena Piri. Aos 81 anos, e encantando com sua beleza viscontiana, exala a paz de quem viveu tudo a seu tempo. O passado, os seus cinco filmes, seus prêmios, tudo convive em serenidade com seu presente. Há uma tranquilidade d'alma e uma beleza apaixonante no olhar dessa senhora, que gosta de roça e do céu de Brasília. As lembranças para ela é um lugar seguro. Como segura é sua casinha em Pirenópolis. Ali ela agasalha seu tempo. De lá viaja para festivais de cinema, para o mundo, de Goiânia a Cannes.

Na feira literária, além da exibição de seus filmes, Eliane autografará a biografia "Ilhas, veredas e buritis", que lançou em 2005. É um volume de mais de 300 páginas, imprescindível não somente para conhecer a vida e trajetória de uma grande atriz, que soube se renovar a cada ciclo, como também um relato importante para a história do cinema brasileiro. 

A foto acima é do filme "Caiçara", dirigido por Adolfo Celi, em 1950. Ambientado no litoral paulista, Ilhabela, o drama tem forte influência neo-realista. Foi a primeira produção da Companhia Vera Cruz, e narra a história de uma jovem que se casa com um homem autoritário em uma aldeia de pescadores. Gosto muito do filme. Embora se perceba nele uma estrutura emprestada de uma cinematografia estrangeira, há uma brasilidade, uma realidade nacional existente.

Um comentário:

Selma Santiago disse...

ah, essa atriz é maravilhosa. Jamais imaginei que ela estaria morando no interior de Goiás.