terça-feira, 15 de janeiro de 2008

raridade na Caixa


Depois do cinema italiano, mais precisamente o neo-realismo, sou um apaixonado pelo cinema japonês, mais exatamente todos os filmes de Yasujiro Ozu, seguidos da filmografia de Kenji Mizoguchi, indo para o mais conhecido e contemporâneo Akira Kurosawa, e avistando ainda outros mestres nipônicos.

Hoje, aqui em Brasília, será exibido no Teatro da Caixa Cultural, às 19h, o filme "Intendente Sansho" (Sanshô Dayû), de Mizoguchi, dando início ao projeto Cinema Falado deste ano, que tem curadoria do crítico Sérgio Moriconi. O antropólogo, escritor e professor José Jorge de Carvalho, que considera "Intendente" como o filme de sua vida, estará presente para um debate após a sessão, e promete destacar aspectos pouco conhecidos da obra.

"Intendende Sansho", rodado em 1954, contém todos os elementos que fizeram a fama do cinema de Mizoguchi. Seus planos-sequências são de tirar o fôlego. Cineasta que misturava com maestria o melodrama a uma narrativa realista, Mizoguchi buscou apresentar a vida de personagens comuns, principalmente de mulheres, que, para ele, encarnam o sentido trágico da vida. O tema da exploração das mulheres, recorrente no seu cinema, teve raiz numa tragédia pessoal: quando criança, viu a irmã ser vendida como gueixa. Esse episódio marcaria irremediavelmente sua trajetória. No filme de hoje o assunto está profunda e belamente representado.

A história se passa na virada do século XI para o XII, e mostra o drama que se abate sobre uma família da aristocracia da época. O pai, um governador de província, sai em defesa dos camponeses e é exilado. Sua esposa parte em viagem com os dois filhos e uma criada, mas a família se dispersa em várias direções, sob o signo da dor e da injustiça. A seqüência das separações e desventuras vividas pelos personagens vai tocando o coração do espectador de um modo cada vez mais intenso e transcendente.

O filme recebeu merecidamente o Leão de Prata no Festival de Veneza.

3 comentários:

Anônimo disse...

Obrigada, Nirton!
A página ficou linda.
beijinhos,
Gioconda Caputo/ObjetoSim

Andros Renatus disse...

Sou apaixonado por Kurosawa, adoro "Bom Dia" de Ozu (o único que tive oportunidade de ver até agora) e estou correndo atrás faz tempo pra conhecer algo de Mizoguchi...

Nirton Venancio disse...

Andros, tenho cópias em dvd de alguns filmes do Ozu e esse clássico do Mizoguchi, se quiser, posso compartilhar com você.