terça-feira, 22 de janeiro de 2008

o olhar de Orson Welles

Orson Welles dirigindo "Soberba" (The magnificent ambersons). Foto RKO Radio Pictures Inc.


“Procuro sempre a síntese: é um trabalho que me apaixona, pois devo ser sincero para com aquilo que sou, e não passo de um experimentador. A meus olhos, o único valor consiste em não ditar leis, mas ser um experimentador, experimentar é a única coisa que me entusiasma.
Um filme não é nunca um relatório sobre a vida. Um filme é um sonho. Um sonho pode ser vulgar, trivial e informe, e talvez um pesadelo. Mas um sonho não é nunca uma mentira.
Um filme não é realmente bom senão quando a câmera é um olho na cabeça do poeta. Tudo o que é vivo deriva da capacidade que a câmera tem de ver. Não vê naturalmente em vez de um artista, vê com ele. A câmera é, nesses momentos, muito mais que um aparelho registrador, é uma via por onde chegam as mensagens de um outro mundo, um mundo que não é nosso e que nos introduz no seio do grande segredo."


Orson Welles ( 1915 – 1985). “Soberba” foi seu segundo longa-metragem, de 1942. Um ano antes, o cineasta deixara sua marca de gênio no filme de estréia, “Cidadão Kane” (Citizen Kane). “Soberba” não teve uma boa repercussão. Temendo um desastre financeiro os produtores ordenaram um corte brutal no filme, que passou de 131 para 88 minutos. Esse corte foi feito por Robert Wise (1914 – 2005), editor do filme, durante viagem de Welles ao Brasil para filmar o mitológico e inacabado “It’s all true”.
Na foto acima, de costas, a atriz Anne Baxter.

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