terça-feira, 23 de maio de 2017

Moore, Roger Moore

“By the time I'm out the door / you tear me down like Roger Moore”, dizia Amy Winehouse na canção You know I'm no good, gravada no disco Back to black, 2006.
Ao citar seu ator preferido na letra, a cantora faz uma analogia como é que fica o coração dela depois de uma briga com o namorado - uma referência sampleada entre a bravura do agente James Bond e o encanto do intérprete.
O britânico Roger Moore foi o mais simpático da franquia 007, o agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico MI-6, criado pelo escritor Ian Fleming em 1953.
Quando substituiu Sean Connery em 1973, em Com 007 viva e deixe morrer (Live and let die), de Guy Hamilton, Moore moldou o personagem totalmente ao avesso do ator escocês, que delineou ao seu papel uma postura com dicção teatral, shakespeariana. Nos sete filmes em que viveu James Bond, Roger Moore deu um perfil sarcástico, irônico, bem humorado, fanfarrão, sem perder a elegância e o carisma, tanto do protagonista quanto do artista. Criador e criatura mais do que se confundiam, convergiam.
Sean Connery se desvinculou o necessário para fortalecer dezenas de outros papéis no cinema, como, por exemplo, o frade franciscano em O nome da rosa (Le nom de la rose), de Jean-Jacques Annaud, 1986. Roger Moore não teve trabalhos relevantes depois de 007 - Na mira dos assassinos, sua despedida do personagem, em 1985. Ficou como o “eterno 007". E não se importava com isso. Divertia-se quando o chamavam James Bond nas ruas, nos hotéis, nos aeroportos.
O ator se foi definitivamente hoje, aos 89 anos, para outras missões mais distantes...

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