sábado, 19 de abril de 2014

viagem ao Cinema


Um casal de idosos resolve ir a Tóquio visitar os filhos. A viagem não foi em um momento oportuno, nem nunca será: os filhos, absorvidos pelo trabalho, não dá a atenção devida aos pais, nem sequer se sensibilizam que vieram de tão longe para vê-los.

Há um sentimento de indiferença e ingratidão, de um lado. E de resignação, do outro: os velhos retornam à sua casa e seu passado com a nobreza da compreensão.
Esse é o resumo de um dos maiores filmes da história do Cinema, "Viagem à Tóquio", também intitulado "Era uma vez em Tóquio", originalmente, "Tôkyô monogatari", de Yasujiro Ozu, de quem não sou fã: sou devoto.
Produção japonesa de 1953, o filme desmonta as relações familiares, mas com muita serenidade e sutileza, como deve ser para o entendimento e a reflexão de todos nós, seres imperfeitos metidos a sabidos. Realizado no pós-guerra, Ozu estabelece uma estrutura narrativa neo-realista, confrontando o velho e o novo Japão, muito bem definido no envelhecimento e na modernidade, nos filhos e nos pais, nas cidades e nos costumes, no efêmero que somos, no eterno que pretendemos.
Minimalista, o cineasta do cotidiano, dos laços e desenlaces familiares, disseca sentimentos que mexem com todos. Criador dos planos com tripé baixo, sua câmera-tatame está sempre na altura dos corações dos personagens, dos que partem e dos que voltam para casa.
O filme está em cartaz no Cinema do Dragão - Fundação Joaquim Nabuco, em Fortaleza, onde tem a melhor programação de cinema da cidade.
 

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