segunda-feira, 30 de março de 2009

o som das imagens

foto ScoreTrack Net

"Se a música está presente apenas para destacar uma cena de ação ou de amor, ela não é realmente interessante. Isso é como colocar açúcar demais num bolo."

Maurice Jarre, compositor francês, autor de trilhas sonoras de mais de 150 filmes, de clássicos como "Lawrence da Arábia", "Dr. Jivago", (com os quais ganhou os Oscars em 1962 e 1965, respectivamente) "A filha de Ryan" "Sempre aos domingos", "Topázio", a produções recentes como "Passagem para a Índia" (Oscar em 1984), O tambor", "Mad Max", "Atração fatal", "O ano em que vivemos em perigo", "A testemunha"...

Pai de Jean-Michel Jarre, um dos precursores da música eletrônica, o compositor faleceu ontem em Los Angeles, aos 84 anos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

vida inteligente no planeta tela

foto Arquivo NV

Ibope mínimo, inteligência máxima

Há uma lenda sobre a tevê. Dizem que, quando foi inventada, os cientistas vibraram com o sucesso de sua criação, mas logo descobriram que não sabiam o que fazer com ela. Na falta do que exibir, passaram a transmitir concertos, notícias e peças de teatro. Em seguida vieram os programas de auditório e as telenovelas, que continuam no ar até hoje. Arte com Sergio Britto, que a TV Brasil exibe às terças-feiras, às 22h, dá outro sentido à radiodifusão. Só conquista um solitário ponto no Ibope. Mas não abre qualquer espaço à vulgaridade, ao popularesco, à exploração da desgraça e da intimidade alheia que ocupam grande parte das emissoras de tevê. Mesmo dentro de um canal estatal, cuja sobrevivência dos programas não depende — em princípio — do número de espectadores, sua presença é notável pela inteligência e pelo apuro na escolha do que é e do que não é apresentado.

Sergio Britto não transmite notícias. Indica sentido, oferece interpretação. Nada é simplesmente mostrado, como acontece na maioria dos noticiários, mas refletido por um ator e diretor de 85 anos que observa o mundo da arte com ponderação e generosidade. É um programa que não faz concessões. Com ele pode-se saber como é uma peça de Büchner, um livro de Tomasz Lychowski, uma música do Quinteto Violado, um solo de Guinga ou uma montagem da Companhia do Pequeno Gesto. O apresentador não está preocupado se quem assiste ao programa sabe quem são esses grupos e artistas. Se não, melhor ainda, porque vai conhecer.

Arte com Sergio Britto ainda tem a vantagem de estar de olho em tudo que está em cartaz no momento, como os filmes "Café dos maestros" e "Milk", por exemplo, vistos e comentados com profundidade que explicita a rasura dos telejornais convencionais, nos quais a notícia se sobrepõe à reflexão. Ainda mais antiga que a tevê, há uma ideia de que certos assuntos devem ser simplificados para que a população em geral possa compreendê-los. O que é apenas elitismo disfarçado de democrática boa vontade. Certas coisas são irredutíveis e precisam ser exibidas em sua integridade. No alto de seu pontinho no Ibope, Sergio Britto insiste com elas.

Texto de Mauro Trindade, da TV Press.

sexta-feira, 20 de março de 2009

o blogueiro

foto Pablo Hernandez

Hoje, nosotros blogueiros, festejamos o dia do blog, do blogueiro, coisa que o valha. Não sei quem inventou isso, se tem algum fundamento. Não curto muito essas datas... dia disso, dia daquilo, dia de meio quilo...

Mas, vamos lá, rendo-me por um instante. Pegando o gancho da "comemoração", e já que utilizo esta ferramenta, vale lembrar que há mais de dez anos que a invenção colocou o chamado usuário comum de internet de vez no mapa. Não tem mais volta. São mais de 72 milhões de diários ativos (diz uma pesquisa)graças a este formato simplificado de publicação.

Tem muita coisa ruim na imensidão deste espaço virtual. Mas tem outras excelentes na mesma proporção e vontade. Há links pra tudo.

Aprofundando mais o assunto, Denise Schitttine, jornalista formada pela Universidade do Rio de Janeiro, publicou em 2004, sua dissertação de mestrado, intitulada "Blog: comunicação e escrita íntima na internet", pela Editora Civilização Brasileira. Dê uma pausa nos blogs e leia o livro, que é muito bom.

quinta-feira, 19 de março de 2009

decoro

foto Midia Express

Clodovil era um estranho no ninho dos deputados federais. Se entrou na política como um aventureiro, sem nenhuma vocação para o parlamento, foi, no mínimo, extremamente sincero em suas convicções, muito mais do que a cambada de nobres senhores envolvidos em mensalão, castelos e outras práticas indignas do Legislativo federal.

Uma das frases de Clodovil Hernandes que marcou o seu primeiro discurso em 2007, e que ilustra bem aquilo lá:

"Fala-se muito em decoro parlamentar. Eu não sei o que é decoro com um barulho desses enquanto a gente fala. Aqui parece um mercado. Isso aqui representa um país. Nem na televisão, que é popular, se faz isso."

sábado, 14 de março de 2009

o infinito

foto Arquivo NV

"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que diz respeito ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta."

Albert Einstein, o mais célebre cientista do século 20, que hoje faria 120 anos.

quinta-feira, 12 de março de 2009

aberto à vida

foto Arquivo NV


"Roteiros não podem ser formulários a serem preenchidos dentro de formatos rígidos. São obras abertas à vida, à descoberta de sentimentos e de surpresas."


Walter Lima Júnior, 63 anos, 13 longas e vários curtas-metragens, é dono de algumas obras-primas do cinema brasileiro, como "Lira do Delírio", "Inocência" e "A Ostra e o Vento", e o recente "Os desafinados". Em cada filme esbanja um sentido singular de poesia e delicadeza, um registro lírico e quase metafísico, que, praticamente, destoa do contexto tão típico da produção nacional marcada pelo realismo e violência, com intenções de análise ou denúncia social.

domingo, 1 de março de 2009

mais detalhes do rei


No último dia 27 foi publicado nO Globo um artigo do sociólogo Carlos Sávio Teixeira comentando o livro do jornalista Oscar Pilagallo, "Roberto Carlos", feito para a série Folha Explica da Folha de São Paulo. Assim como a obra de Paulo César de Araújo, "Roberto Carlos em detalhes", lançada em 2006 e cruelmente retirada das livrarias, é uma biografia não autorizada.

Mas o rei, segundo o artigo, não foi à Justiça pedindo a proibição do livro. Parece que o bom senso está tomando o lugar de sua estupidez.

À época do imbróglio do livro de Paulo César, Roberto Carlos argumentou que teria se incomodado com a invasão de sua privacidade, mas não apontava o quê. Dizem que sequer leu uma página, e tudo que chegou a ele foi através de assessores. É possível. Roberto Carlos não é muito chegado à leitura, principalmente se acha que "falam mal" dele.

O autor da biografia proibida, num gesto até de muita nobreza, se dispôs a retirar o que tanto incomodava ao rei. Não adiantou. O rei fincou pé em detalhes tão pequenos e milhares de exemplares foram confiscados da Editora Planeta e levados para um galpão em São Paulo. Há boatos da Candinha que o rei mandou tocar fogo, bem ao lema da Jovem Guarda, de que ele é uma "brasa, mora!", mandando tudo pro inferno!

O que deixa Roberto Carlos realmente incomodado é a citação do acidente que sofreu aos seis anos de idade, quando teve parte da perna direita esmagada pela roda de um trem, num dia de festa na sua Cachoeiro de Itapemirim. A família Braga não tinha dinheiro para uma prótese, e Roberto passou sua infância e adolescência andando de muletas.

Não li ainda o livro de Oscar Pilagalho, sei que há um capítulo, "Traumas", sobre o acontecimento. Na obra de Paulo César isso é narrado de uma maneira detalhada e respeitosa, assim como todo o livro se caracteriza pelo cuidado. Sou um leitor compulsivo de biografias, e essa é uma das melhores que já li. Ao retratar a vida do maior ídolo da nossa música, Paulo César faz um painel histórico rico em informações da própria música popular brasileira, fruto de quinze anos de pesquisa, além de uma admiração confessa pelo cantor. O capítulo que abre o livro é de uma beleza comovente, relatando a frustração de Paulo César menino quando não conseguiu assistir a um show do cantor em Vitória da Conquista.

Espera-se que o bom senso tenha efeito retroativo e o livro volte às pratelereiras.