quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

aula de cinema

foto Arquivo/NV

Revi ontem um dos melhores filmes em toda história do cinema: "12 homens e uma sentença" (12 angry men), longa de estréia de Sidney Lumet, rodado em 1957.

O filme é uma aula de cinema. A começar pelo plano-seqüência que apresenta o interior do majestoso prédio do tribunal Manhattan’s Court of General Sessions. Seguindo os seus 96 minutos, cada cena do filme é minuciosamente decupada. E não poderia ser diferente sob a regência de um bom diretor, com um bem apurado roteiro nas mãos e uma dúzia de excelentes atores, entre eles, Henry Fonda, Lee J. Coby, Martin Balsam e Jack Warden.

A história é a seguinte: doze jurados devem decidir se um homem é culpado ou não de um assassinato, sob pena de morte. Onze têm plena certeza dessa culpa, enquanto um não acredita em sua inocência, mas também não o acha culpado. Coube a Henry Fonda esse papel, em uma de suas melhores atuações. Decidido a analisar novamente os fatos do caso, Henry Fonda não deve enfrentar apenas as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu, mas também a má vontade e os rancores dos outros jurados, com vontade de irem embora logo para suas casas. A partir daí cada personagem se revela, com seus conflitos de personalidade e temperamentos diferenciados.

Agora, imaginem uma dúzia de atores dentro de uma sala pequena, transpirando de calor, falando o tempo inteiro em busca de um veredicto. Tinha tudo para ser um filme chato, típico teatro-filmado. Mas não. A câmera de Sidney Lumet movimenta-se com um domínio impressionante naquele cubículo, como se fosse um discreto décimo terceiro personagem. Sem stad cam!

Lembro-me que há uns quatro anos o site Internet Movie Database considerou "12 angry men" o 23º melhor filme de todos os tempos. Eu o colocaria numa cotação mais acima, ao lado de outro que me vem à lembrança agora, magnificamente bem dirigido por William Wyler, "Detective story", (1951), que no Brasil foi lançado com o esquisito título "Chaga de fogo".

"12 homens e uma sentença" foi indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, diretor e roteiro adaptado. Mas surpreendentemente não ganhou em nenhuma, perdendo para a superprodução "A ponte do rio Kwai" (The bridge on the river Kwai), de David Lean, vencedor de quase dez estatuetas.

Por falar em Oscar, neste ano concorreu como filme estrangeiro o russo "12" (12), de Nikita Mikhalkov, refilmagem do clássico de 1957. Mais uma vez esses doze homens não tiveram vez. Ganhou "O falsário" (The counterfeiters), produção austríaca, de Stefan Ruzowitzky.
Há uma outra versão, que não conheço, dirigida por William Friedkin, produzida para tv, com Jack Lemmon no papel que foi de Henry Fonda.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

sem perder a ternura

foto Arquivo/NV

“Eu gostaria que soubessem que cumpri duas tarefas: uma do Partido e outra do meu coração”.

A frase é da revolucionária alemã Olga Benário, famosa no Brasil por sua atuação ao lado do marido Luís Carlos Prestes, líder do movimento que entraria para a história brasileira como Intentona Comunista.

A Alemanha homenageia o seu centenário de nascimento. A histórica revolucionária , vítima do Holocausto judeu durante o domínio nazista, completaria um século de vida no último dia 12. Para prestar tributo, a Galeria Olga Benário de Berlim inaugurou uma pedra de tropeço em frente ao último endereço que ela ocupou na capital. A placa foi instalada no bairro berlinense de Neukölln e inaugurada pela filha Anita Leocárdia Prestes, nascida em um campo de concentração.

Pedras de tropeço são pequenas placas de latão presas nas calçadas em frente a locais aonde moraram vítimas das atrocidades nazistas. Nessas pedras estão escritos o nome, as datas de nascimento e de deportação e uma referência ao que aconteceu. Em toda Europa são encontradas mais de 13 mil placas semelhantes.

Pena que o filme "Olga", dirigido por Jaime Monjardim há quatro anos, não está à altura da personagem, nem do livro homônimo de Fernando Morais, no qual o roteiro de Rita Buzzar foi inspirado.

No início da produção, em 2001, o diretor Luiz Fernando Carvalho, de "Lavoura arcaica", foi convidado para dirigir o filme e no papel principal estaria Patrícia Pillar.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

ao mesmo tempo

foto Luke Craig

“O cinema pode ser muitas coisas ao mesmo tempo: amor, drama, paixão, e também diversão, mas isso não quer dizer trivialidade. Também nos faz vibrar e afeta nossas vidas, pois nos permite conhecer melhor a condição humana. Tem muita força e pode nos fazer crescer e nos fazer nos indignarmos."

Ken Loach, cineasta inglês

sábado, 16 de fevereiro de 2008

tropa em Berlim

Wagner Moura em "Tropa de elite". Foto Divulgação

O filme "Tropa de Elite", de José Padilha, ganhou o principal prêmio do Festival de Cinema de Berlim neste sábado, o Urso de Ouro de melhor filme.

O longa-metragem dividiu a crítica no festival, sendo apontado como uma obra "fascista" por alguns e outros afirmando tratar-se de um filme "inteligente".

A notícia está na Reuters Brasil.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dans mon île

foto Marcos D'Paula/AE

“Quem não sentiu o suingue de Henri Salvador?”, perguntava Maria Bethania, em "Reconvexo", faixa que abria o disco "Memória da pele", de 1989. A música foi composta pelo mano Caetano, um admirador desse grande músico francês, de quem gravou, em 1981, a belíssima "Dans mon île", que está no vinilzão "Outras palavras".

Henri Salvador foi embora ontem para sua ilha... aos 90 anos.

Corre a lenda que Tom Jobim teria se inspirado em "Dans mon île" para criar a Bossa Nova. O fato é que a canção estava no documentário "Europa de noite" (Europa di notte), dirigido pelo italiano Alessandro Blasetti, em 1958, e muitos músicos brasileiros, além de Jobim, ficaram fascinados com a canção daquele francês de ascendência espanhola e indígena. Henri Salvador passou a ter uma forte ligação com o Brasil, com a música brasileira.

A interpretação de Caetano Veloso em "Dans mon île" é muito bonita, mas fica aqui o link para ouvir a original, de 1957, na voz belíssima do seu autor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

"Corporativismo"

Acordo entre planalto e oposição para criar comissão de inquérito mista livra de devassa gastos da Presidência na gestão de petista e de tucano. Em São Paulo, governador suspende uso do cartão para retiradas em dinheiro.

Fonte: Correio Braziliense, 12/2/2008
Charge: Kleber