domingo, 22 de junho de 2008

o esquema novo de Meirelles



Nos primeiros discos do ainda Jorge Ben há algo de especial no que se ouvia naquele suingue diferente: os arranjos do saxofonista João Theodoro Meirelles, depois conhecido como J. T. Meirelles, e mais na frente como o cabeça do conjunto Meirelles os Copas 5, que teve na sua formação inicial o pianista Luiz Carlos Vinhas e o baterista Dom Um Romão.

Meirelles foi o criador do chamado samba-jazz, uma mistura atraente de sonoridades aparentemente distintas. No primeiro disco do grupo, "O som", de 1964, encontramos a matéria prima dessa mesclagem. O vinilzão é uma obra-prima. Uma referência da música instrumental brasileira. Da primeira à última faixa, de um lado e do outro, uma maravilha extraída do ritmo de samba e improviso do jazz, com a beleza da pulsação sincopada e andamento moderado.

Esse e outros discos do Meirelles e os Copa 5 foram relançados pelo selo Dubas Music, assim como os lançamentos mais novos. "Esquema Novo", de 2005, é ótimo. E, se não me engano, é o último disco de Meirelles: o músico faleceu no começo deste mês, aos 67 anos. Quase nenhuma divulgação na imprensa. Uma notinha de rodapé num jornal aqui, outra ali. Neste país de "cultura" musical horizontalizada, massificada, mercadológica, quem é, afinal, J. T. Meirelles?

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