sábado, 28 de outubro de 2006

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Cidadão do Cinema

L.G. Miranda Leão. Foto Divulgação

Amanhã, durante a 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a jornalista cearense Aurora Miranda Leão estará lançando o livro "Analisando Cinema - Críticas de LG de Miranda Leão", que tem prefácio de Neusa Barbosa.


Luis Geraldo de Miranda Leão é um dos pouquíssimos críticos de cinema deste país. E crítico entenda-se como um verdadeiro estudioso da sétima arte. São 50 anos de atividade ininterrupta.


LG teve e tem uma importância fundamental na minha vida de cinema. Muito cedo comecei a ler seus artigos nos jornais de Fortaleza, lá pela década de 70. Posso dizer, sem erro, com orgulho e saudade desses tempos, que muito da teoria cinematográfica aprendi através dessas leituras, das palestras no Clube de Cinema e de conversas antes e depois das sessões do Cinema de Arte do Cine Diogo. Sua análise lúcida, criteriosa e apaixonada, serviram-me de estímulo para mergulhar cada vez mais no mundo das telas de cinema.
Bom continuar lendo Miranda, agora estendendo seu olhar em páginas virtuais, como a www.criticos.com.br
E o seu carismático perfil físico de Orson Welles me faz considerá-lo um Cidadão do Cinema.


O livro, organizado por sua filha Aurora, é um lançamento da prestigiada Coleção Aplauso editada pela Imprensa Oficial de São Paulo.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

recusando o Oscar

Aki Kaurismaki. Foto Hannes Heikura


Woody Allen recusou-se a ir receber o Oscar em 1978, quando foi indicado e premiado como melhor filme e melhor diretor por "Annie Hall", no Brasil "Noivo neurótico, noiva nervosa". Repetiu o gesto - considerado um erro diplomático - em 1987, quando "Hannah e suas irmãs" (Hannah and her sisters) concorreu nas categorias de filme, direção, edição, direção de arte, ator coadjuvante e atriz coadjuvante, ganhando nestas duas últimas, respectivamente, Michael Caine e Dianne Wiest. O diretor novaiorquino preferiu tocar jazz em um barzinho predileto.

Marlon Brando , em protesto pelo modo como os Estados Unidos discriminavam os índios nativos do país, não compareceu à cerimônia de entrega do Oscar, premiado por seu trabalho em "O poderoso chefão" (The Godfather), de Francis Coppola, em 1972. Enviou em seu lugar a atriz Sacheen Littlefeather, que subiu ao palco caracterizada de índia.

O cineasta finlandês Aki Kaurismaki radicalizou: nesta semana não permitiu que seu mais recente filme, "Luzes na escuridão" (Laitakaupungin valot), seja indicado ao Oscar 2007 em protesto veemente contra a política externa do bélico George W. Bush. O filme, que tem co-produção com França e Alemanha, foi escolhido pelo Instituto Finlandês de Cinema para representar o país na categoria de melhor filme estrangeiro.
"Luzes na escuridão" conta a história de um homem solitário, que trabalha como guarda-noturno em um shopping center na capital Helsinki. Foi exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio deste ano.

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

animando o poeta

foto Studio Caó

"Poetanimado" é um dos 30 vídeos selecionados no 1º Festival de Vídeo da TVE Bahia. Fotografado, animado e dirigido pelo artista gráfico Caó Cruz Alves, o filme é um exemplo de criatividade e simplicidade.

Confira esse belo trabalho na página:
http://www.youtube.com/watch?v=OVEnM4xD8_w

E se gostar como eu gostei, deixe seu recado aqui:
http://www.irdeb.ba.gov.br

Stone no Afeganistão

foto Divulgação

Depois de lançar "As torres gêmeas" (World Trade Center), o cineasta americano Oliver Stone pretende continuar explorando a temática dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Ele quer fazer um filme sobre a invasão do Afeganistão e a busca por Osama Bin Laden. O polêmico diretor deseja adaptar "Jawbreaker", livro de memórias de Gary Bernsten, membro da CIA durante a invasão americana naquele país.

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

os selecionados de Brasília

Luiz Carlos Vasconcelos em "O romance do vaqueiro voador", de Manfredo Caldas. Foto Folkino Produções

Vladimir Carvalho, Cláudio Assis, Helvécio Ratton, Júlio Bressane, Sílvio Tendler e Carlos Cortez. Eles assinam a direção dos seis longas em 35mm selecionados para a mostra competitiva do 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal – que recebeu a inscrição de 174 filmes. Dos seis diretores que competem na Mostra em 35mm, apenas Cláudio Cortez ainda não foi premiado no festival.

A solenidade de abertura está marcada para o dia 21 de novembro, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. O filme escolhido para ser exibido em sessão hours concours é o documentário "Romance do vaqueiro voador", baseado no poema de João Bosco Bezerra Bonfim, dirigido por Manfredo Caldas.
Selecionados:

Longas 35mm

"Baixio das bestas", de Cláudio Assis, PE
"Batismo de sangue", de Helvécio Ratton, MG
"Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá", de Sílvio Tendler, RJ
"O engenho de Zé Lins", de Vladimir Carvalho, DF
"Cleópatra", de Júlio Bressane, RJ
"Querô", de Carlos Cortez, SP


Curtas 35mm

"A vida ao lado", de Gustavo Galvão, DF
"Dia de folga", de André Carvalheira, DF
"Divino maravilhoso", de Ricardo Calaça, DF
"Residual", de Sergio Raposo, DF
"Uma questão de tempo", de Catarina Accioly e Gustavo Galvão, DF
"Espeto", de Guilherme Marback e Sara Silveira, SP
"Helena Zero", de Joel Pizzini, 25 min, RJ
"Noite de marionetes", de Haroldo Borges, BA
"Noite de sexta manhã de sábado", de Kléber Mendonça Filho,PE
"O brilho dos meus olhos", de Allan Ribeiro, RJ
"O homem-livro", de Anna Azevedo, RJ
"Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba", de Thomaz Farkas e Ricardo Dias, SP
"Trecho", de Clarissa Campolina e Helvécio Martins Jr., MG


Filmes 16mm

"A volta do candango", de Filipe Gontijo e Eric Aben-Athar, DF
"Borralho", de Arturo Sabóia e Paulo Eduardo Barbosa, DF
"Do andar de baixo", de Luisa Campos e Otavio Chamorro, DF
"Nada consta", de Santiago Dellape, DF
"Naturacaos", de Alisson Machado, DF
"O eixo do homem", de Marcius Barbieri, DF
"Ódio puro concentrado", de André Miranda, DF
"Vestígios", de Pablo Gonçalo, DF
"A goiabeira", de Ed Lopex, RJ
"Alguns recados", de Thiago Faelli, SP
"Cada um com seu cada qual", de Flávio Castro, RJ
"Canção para duas moças", de Gisella Cardoso Franco, RJ
"Deriva", de Gustavo Bragança, RJ
"O tempo de Clarissa", de Tatiana Nequete e Jéssica Luz, RS
"Onde a noite acaba", de Poliana Paiva, RJ
"Onde começa e como termina", de Raul Grecco, RJ
"Outro", de Daniel Solaroli, SP
"Recortes", de José Eduardo Milani, SP
"Silêncio", de Maurício Pastor Cuencas, SP
"Terra prometida", de Guilherme Castro,RS
"Uma vida e outra", de Daniel Aragão, PE

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Gillo Pontecorvo, cineasta

Pontecorvo em 2004. Foto F.Pedrazzini

O cineasta italiano Gillo Pontecorvo morreu ontem, em Roma, aos 87 anos.
"A batalha de Argel" (La battaglia di Algeri), de 1965, e "Queimada" (Queimada), de 1969, são os seus filmes mais conhecidos. O primeiro mostra os eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, marco do processo de libertação das colônias européias na África. Recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original. O curioso é que as indicações recebidas foram em anos diferentes. Em 1967 foi indicado na categoria de melhor filme estrangeiro, sendo que dois anos depois, quando estreou nos cinemas americanos, foi indicado nas demais categorias.

Gillo Pontecorvo (D) dirigindo "A batalha de Argel". Foto Acervo Nirton Venancio

"Queimada", se passa no século XIX, e mostra um representante inglês enviado a uma ilha do Caribe, na intenção de incentivar uma revolta que derrube o governo português e favoreça os interesses da Coroa britânica. O inglês Sir William Walker é interpretado por Marlon Brando, que se desentendeu com o diretor durante as filmagens.

O cineasta deve ser homenageado no Festival de Roma, que começa hoje.

mestre Cartola no cinema

foto Divulgação

Filme dirigido pelos pernambucanos Lírio Ferreira, autor de dois longas-metragens de ficção, ("Baile perfumado" e "Árido movie") e Hilton Lacerda (roteirista de "Amarelo manga"), "Cartola" é um ótimo e surpreendente documentário. O filme que recria as emoções e a história do compositor mangueirense teve pré-estréia no Festival de Cinema do Rio. O internauta pode conhecer um pouco mais sobre o trabalho, que estréia em dezembro deste ano, na página
http://revistaraiz.uol.com.br/narede/index.php?page=ler_artigo&id=70

domingo, 8 de outubro de 2006

Almodóvar em estado de graça

foto Divulgação

"Após o inferno de 'Má educação', em que rodava com a sensação de estar sempre à beira do abismo, desta vez não sofri. Isso não significa que 'Volver' seja melhor. Aliás, estou muito orgulhoso de 'Má educação', mas a ansiedade era terrível. Para dirigir um filme, é mais importante ter paciência que talento. E eu estava perdendo a paciência para as coisas triviais, que são as que mais exigem. Com 'Volver', recuperei parte dessa paciência. Todas as atrizes viviam e trabalhavam unidas, numa relação maravilhosa, quase familiar, e captei isso. Foi como uma bênção, todas estavam em contínuo estado de graça.”


Pedro Almodóvar, em entrevista aos jornalistas em Madri, Espanha, durante o lançamento do seu novo filme, "Volver". Tendo à frente do elenco sua fiel atriz Carmen Maura e - sem trocadilho - voltando a dirigir Penélope Cruz, o cineasta escreveu um roteiro sobre a história de três gerações de mulheres de sua terra natal, La Mancha. Almodóvar sempre se impressionou com a naturalidade com que seus conterrâneos tratam a morte: "eles cultivam muito a memória e passam a vida inteira cuidando de suas sepulturas." Mas o olhar do diretor é otimista, e "o filme é sobre essa comunidade feminina em que se fala muito, se oculta muito, se escuta muito e, para ser uma comédia, chora-se muito." Carmem Maura, por exemplo, faz uma avó que volta do além para resolver uns assuntos que esquecera. Mortos e vivos convivem sem nenhum espanto. O fantástico e o real na mesma tela.

“Volver” foi escolhido para representar a Espanha no Oscar em 2007, disputando a estatueta de Melhor Produção Estrangeira. Nosso “Cinema, aspirinas e urubus”, de Marcelo Gomes, é também um dos cinco finalistas na categoria.

O filme de Almodóvar foi premiado no recente Festival de Cannes como Melhor Roteiro e Melhor Interpretação Coletiva, e recebeu no começo do ano o Globo de Ouro da Associação de Imprensa Estrangeira na Itália, além de Melhor Filme no Festival de San Sebastian. No Festival do Rio deste ano foi um dos que teve maior público, exibido no Panorama do Cinema Mundial. O lançamento no Brasil será no começo de novembro próximo.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

premiados no Rio

Hermila Guedes em "O céu de Suely". Foto Divulgação

O filme "O céu de Suely", de Karim Aïnouz, ganhou o Troféu Redentor de melhor longa-metragem na categoria ficção e de melhor direção no Festival do Rio, que começou no dia 21 de setembro e encerrou ontem. Esse é o segundo longa do cineasta cearense, que recebeu vários prêmios com seu longa de estréia, "Madame Satã", em 2002.
Hermila Guedes, protagonista de "O "Céu...", foi escolhida a melhor atriz.


Entre os documentários longas, foi premiado "À margem do concreto", de Evaldo Mocarzel. "O cheiro do ralo", de Heitor Dhalia, ganha prêmio especial do júri. Na categoria curta-metragem, o ganhador foi "Joyce", de Caroline Leone.


Lista completa dos premiados na página
www.festivaldorio.com.br

terça-feira, 3 de outubro de 2006

paraíso

Salvatore Cascio em "Cinema Paradiso" (Nuovo Cinema Paradiso), de Giuseppe Tornatore, Itália, 1988

"um dia minha vida foi ao cinematógrafo

e nunca mais voltou para casa"

(versos extraídos do poema "A chegada do trem à estação", de Narlan Matos)

domingo, 1 de outubro de 2006

o estranho que nós amamos


Para falar de filmes que estão em cartaz há bastante espaço no internet, nos jornais, nas revistas, e até nos outdoors. De vez em quando recorrerei a uma sessão, digamos, “os esquecidos”, para lembrar de filmes que foram mal lançados, mal distribuídos, e mal compreendidos pela “crítica especializada”, mas nem por isso execrável, condenável à vala comum.
Um desses filmes é o brasileiro “Querido estranho”, disponível em dvd, possivelmente em um cantinho na locadora, somente com uma cópia. Dirigido por Ricardo Silva e Pinto, o filme é uma pequena obra-prima. Pequena pela simplicidade sincera da produção, não pela construção cinematográfica, esta elevada e pomposa no mergulho de cabeça nos sentimentos humanos. A partir do peça “Intensa magia”, de 1996, escrita por Maria Adelaide Amaral, o roteiro de José Carvalho expõe o relacionamento conflituoso de uma família de classe média , centrada na figura ácida do patriarca, magnificamente vivido por Daniel Filho. Toda a ação se passa no dia do seu aniversário, quando os parentes chegam para comemorar a data, e ele, Alberto, expõe todos os problemas e feridas que unem e desunem cada um deles, sem poupar palavras cruéis e humor ferino. Do texto teatral à transposição para a tela é inegável um jeito meio nelsonrodrigueano na essência, pela força e escracho dos personagens e o núcleo doméstico onde eles se manifestam.
A dissecação na alma, sem meios-termos ou tratamento ambíguo, é o que nos atrai e incomoda. Rejeitando ou admirando, podemos nos espelhar em algumas brechas da situação que presenciamos. Impossível ficar impassível. O cinema nesse momento consegue um dos seus objetivos como arte: retratar o ser humano e refletir sobre nossas grandiosidades e podridões.
Produzido em 2002, rodado em tempo recorde de 24 dias, o filme é o segundo longa na carreira do paulista Ricardo. O primeiro foi a comédia “Sua excelência, o candidato”, em 1990. Ele é um dos mais requisitados assistentes de direção no cinema brasileiro, além de trabalhar como diretor de produção e produtor executivo em mais de vinte filmes. Dirigiu os curtas “Zabumba” (84) e “Adultério” (88). Ainda neste ano será lançada sua biografia, escrita por Rodrigo Capella, dentro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial de São Paulo.
Daniel Filho na frente das câmeras revela-se um grande ator. São marcantes suas atuações em “Romance da empregada” (1987), de Bruno Barreto e “Tieta do agreste” (1997), de Cacá Diegues. Em “Querido estranho” ele rouba todas as cenas, embora não se desclassifique as interpretações de Suely Franco, Ana Beatriz Nogueira, Cláudia Netto, Mário Schoemberge e Emílio de Mello, este premiado como melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado de 2002.