quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

acredite se quiser!


"Eu acho que a função da novela não é só entreter, mas levar o mundo até o público, proporcionar um pouco de ética, sofisticação, civilização, conhecimento - e até ensinar o português."

Pasmem aqueles de bom senso!

A declaração absurda é do ator Miguel Falabella, que também dá uma de novelista, a propósito do lançamento do livro "Autores - Histórias da teledramaturgia", lançado pela Editora Globo, claro, reunindo entrevistas e depoimentos dos principais nomes nessa área.

Em um país que se lê pouquíssimo e milhares de pessoas ficam reféns de idiotices como Big Brother, a novela não atiça a imaginação coisa nenhuma, como defendem os autores. Acompanhar durante nove meses uma história sempre boba, com os atores de sempre, numa dramaturgia duvidosa, não faz ninguém mais "ético", "sofisticado", "civilizado", "conhecedor", e muito menos falando nossa língua corretamente. Ao contrário. Influencia de forma equivocada, limitando no chamado telespectador sua autonomia de opinião e decisão diante das coisas, confundindo de maneira débil realidade com ficção.

O que há de concreto mesmo nessa boboseira de defender algum efeito positivo nessa programação vazia da tv, são os milhões de reais movimentados pelos números de audiência.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

o declínio dos bárbaros

foto Le Studio Canal+

Os professores de História Rémy, Pierre, Claude e Alain preparam um saboroso jantar no campo, às margens do lago canadense Memphremagog. Na cidade, as amigas Dominique, Louise, Diane e Danielle fazem exercícios de musculação. Sob o suave outono, os intelectuais vislumbram o declínio quase invisível de um grande império. Desprezo pelas instituições, decadência das elites e queda da natalidade são sinais crepusculares. Tanto no "clube do Bolinha" quanto no da "Luluzinha" só se fala de sexo. Os homens falam das mulheres e as mulheres dos homens.
Essa é a sinopse de "O declínio do império americano" (Le déclin de l'empire américain), filme excelente a partir do título. Dirigido por Dennys Arcand, em 1986, teve uma espécie de continuação em 2003, no também ótimo "As invasões bárbaras" (foto). Nesse reencontro dos mesmos personagens quase vinte anos depois, debate-se a queda do homem e de suas ideologias, em uma bem humorada crônica sobre a modernidade.

Os dois filmes têm cópias em dvd. É interessante começar pelo "Declínio". O senhor das armas George "War" Bush, que tá se mandando - e já vai tarde -, talvez se encantasse apenas pelo título do segundo...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

glauberianas

foto Acervo Tempo Glauber

"Na criação artística o maior empecilho é o medo. Os autores que criaram grandes obras na América Latina venceram o medo para não sucumbir ao terrorismo do complexo de inferioridade. Eu, inclusive, rompi este complexo no berro."

GLAUBER Pedro de Andrade ROCHA, 1939 - 1981

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

não trema sem acento


CAI O ACENTO, FICA A PRONÚNCIA

O Brasil acordou ontem escrevendo de outra maneira. É o que manda o acordo ortográfico firmado em 1990 pelos integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Timor Leste também assinou, depois, a unificação da grafia da língua, mas os prazos de implantação das novas regras não foram cumpridos e o governo brasileiro sempre adiou as mudanças por falta de adesão de Portugal.

Essa situação perdurou até março, quando Lisboa anunciou o desejo de fazer parte da reforma. Em setembro, o presidente Lula assinou decreto com o cronograma de aplicação do acordo no país.

O Correio Braziliense, por exemplo, jornal que acompanho diariamente, circula já respeitando as novas regras. Voo vem sem acento, assim como enjoo. As consoantes siamesas de microondas sofrem uma cirurgia e passarão a andar separadas pelo hífen: micro-ondas
O trema desaparece para descansar o u de lingüiça e de tranqüilo. Livres dos dois pontinhos, que há anos carregam nas costas, passarão a ser escritas assim: linguiça e tranquilo. Uma boa idéia não terá mais acento grave, será simplesmente ideia.O corretor do computador vai estranhar, mas com o tempo se acostumará. Mas cuidado: a pronúncia é a mesma, com ou sem acento, com ou sem trema.

Se por caso o leitor esbarrar com essas palavras grafadas sem as modificações, não deve se assustar nem considerar um erro. Os brasileiros têm um período de adaptação. Até dezembro de 2012, as duas formas vão caminhar em harmonia e as mudanças não poderão eliminar candidatos em vestibulares, concursos e exames escolares. A reforma ortográfica vai modificar cerca de 3 mil verbetes, o equivalente a 5% das palavras reconhecidas oficialmente no idioma português. O alfabeto, hoje com 23 letras, vai engordar. Ficará com 26, com a incorporaçãodefinitiva do k, do w e do y, que sempre viveram à margem, mesmo compondo algumas palavras da língua.

Mas há um rebelde na reforma. É o hífen. Ele, que já castiga tanta gente na atual norma ortográfica brasileira, continuará incomodando. Sua aplicação em algumas palavras que hoje o ignoram ainda não está completamente definida. Seu futuro depende de um documento que a Academia Brasileira de Letras divulgará, provavelmente em fevereiro. Em caso de dúvida, o melhor esperar a publicação dos acadêmicos, que se chamará Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

fonte: Correio Braziliense