quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

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Quando o conselheiro Aires dizia não ser seguro “julgar por uma festa de algumas horas a situação moral de duas pessoas”¹, ele certamente pensava no grande e intricado jogo de aparências que comanda cada um desses eventos. Os salões são palco e plateia das maiores encenações humanas. Exibir emoções ou a falta delas, dissimular ressentimentos, esconder mágoas, alardear amizades ou inimizades, ostentar riquezas e encantos – toda festa é uma ficção. E vez ou outra se transforma em boa literatura. Reunir umas quantas personagens num salão e deixar que exponham suas máscaras pode ser um truque inteligente para se chegar a seu completo desvendamento.

- Regina Dalcastagnè em seu livro O espaço da dor – O regime de 64 no romance brasileiro (Editora UnB, 1996), primeiro parágrafo do capítulo Os salões.
¹ Memorial de Aires, Machado de Assis
Acima, reprodução de Ash wednesday (Quarta-feira de cinzas), 1860, do pintor alemão Carl Spitzweg. O quadro encontra-se na Staatsgalerie Stuttgart.

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