sábado, 7 de fevereiro de 2026

o resto é silêncio


Foto: ©Focus Features/Courtesy Everett Collection

A roteirista e diretora Chloé Zhao inspirou-se em antigas tradições de contar de histórias para o final de Hamnet (2025).

“Chorar juntos remonta aos gregos”, disse Zhao ao portal estadunidense IndieWire. “Em todas as tradições indígenas, as pessoas se reúnem ao redor da fogueira e o xamã canaliza uma história”.
Zhao utilizou meditações diárias e sessões de sonhos com seus atores, além de organizar rituais de dança semanais para extravasar.
“Animais, sonhos, visões”, explicou. “E temos usado a arte, a narrativa e uma experiência coletiva e comunitária — para lamentar, sentir, lidar com isso — desde muito antes de qualquer uma dessas coisas que nos dizem que devemos estar separados sequer existir. Estamos nos lembrando, prontos para sobreviver”.
A sequência final de Hamnet tem um tom operístico, comovente, orgânico.
Decupar e filmar essa sequência marcou "quatro dos dias mais difíceis, mas também mais transformadores da minha vida", disse a cineasta.
"Quase não há diálogo. Às vezes, nossa verdade só pode ser sentida em silêncio e talvez, no caso, com a música de Max Richter tocando ao fundo. Tudo o que pedimos é ver uns aos outros e sermos vistos sem julgamento, incondicionalmente, e isso foi curativo e também difícil de vivenciar. Shakespeare trabalhou arduamente a vida toda para unir as pessoas todos os dias por algumas horas: a ilusão da separação se dissolve".

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